terça-feira, 25 de agosto de 2015

PESSOAS RECLAMONAS



OUTRO DIA deparei-me, na rua, com uma senhora passeando com o cachorro, que foi bastante agressiva com uma jovem andando de bicicleta. Como é triste presenciar pessoas, sobretudo idosas, reclamando de tudo. Salvo isso derivar de algum problema da própria idade, pode-se perguntar: ‘O que a vida lhes ensinou até então?’. O semblante dessas pessoas pode revelar tristeza profunda, arrogância, revolta, incapacidade de se colocar no lugar do outro... Ao lado de pessoas permanentemente insatisfeitas, o silêncio é, no mais das vezes, a melhor resposta. É deixar que suas queixas se transformem em monólogos, o que não é raro acontecer. Também não é raro que sejam evitadas por sua intolerância, que muitas rotulam de capacidade de ser autênticas, a fim de que não sejam aviltadas ou pareçam bobas. Em sua visão do que seja o relacionamento humano e autojustificando a sua natureza crítica, acreditam-se detentoras, por assim dizer, de uma ‘verdade saneadora dos maus hábitos sociais’. Haverá solução para isso? Talvez, se, cada um dos ‘reclamões’ perceber, segundo um pensamento, de autor desconhecido, que se encaixa muito bem nessa história: ‘Só nos reformamos verdadeiramente quando conseguimos conhecer (e reconhecer) a nossa ignorância’. Mas aqui cabe um alerta: se você decidir chamar a atenção de alguém quanto a esse hábito de ser ‘reclamão’, não o faça para retaliar e se utilize de sensibilidade, de Misericórdia! Tom Simões 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Inspiro-me nos Sábios


Intelectuais: ‘donos’ do conhecimento, ricos na arrogância. Refiro-me certamente àqueles intelectuais que gostam de mostrar sua bagagem cultural e viver em grupos fechados, onde impera a vaidade. O oposto dos sábios, que apreciam a simplicidade e não têm preferência por pessoas, beneficiando a todos que, indistintamente, cruzam a sua vida. Beneficiando, pelo autoconhecimento, especialmente a si próprio. Já a não humildade dos intelectuais os levam a rejeitar esse caminho do autoconhecimento, pois ele implica em autocrítica, algo que não se encaixa na natureza do homem vaidoso. A vida não é poder, a vida é humildade e generosidade. Por este viés, no leito da morte, feliz daquele que poderá dizer: “Eu não passei em vão por este mundo”. Pelo amor, permaneceremos nas memórias. Tom Simões

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Moradores em situação de rua e seus cães


Invisíveis para a sociedade, moradores de rua enxergam em seus animais de estimação o companheirismo que não encontram nos humanos. Eles deixam de comer para alimentar os bichinhos. E contam histórias de cumplicidade que aliviam o drama de viver na rua. Ao adotar cães abandonados, o morador de rua passa a ter também a sua função social. Quem já pensou sobre isso? Mas, mais do que isso, o morador de rua acaba servindo como um detector da capacidade de empatia e generosidade de seres humanos. O ato da doação a um desalojado sempre é capaz de levar transeuntes insensíveis à reflexão.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Reflexão numa tarde chuvosa



A PESSOA faz o necessário. Ou o que entende inconscientemente como obrigação. Nada além! Porque há algo que diz: ‘Somente o necessário. O extraordinário é demais’. Nada a surpreender o outro! A pessoa sente-se confiante por desenvolver o que considera como atributo básico. E o outro então valoriza muito essa pessoa por tudo o que faz. Porque esse outro tem essa capacidade: reconhecer e valorizar. E, mais ainda, a capacidade de sentir-se sempre em débito no conjunto do que compete a um e ao outro. Mas quando o outro faz algo que poderia surpreender, faz o ‘extraordinário’, essa pessoa não percebe. Inconscientemente, ela deixa por conta do ‘eu faço mais; o outro não faz mais do que a sua obrigação!’. Mas não importa, o outro entende e permanece generoso, movido pelo que transcende a capacidade humana! Escreve Rodrigo Veninno: ‘Não viva em função de agradar as pessoas e nem em busca de elogios. Agrade a si mesmo e viva da maneira que achar correta, pois nem todos os elogios são verdadeiros, como também nem todas as críticas têm fundamento’. Veninno diz também: ‘Quando for pedir algo, peça somente o necessário, pois você pode receber mais do que precisa, mais do que pode aguentar, ou mais do que pode merecer’. E então, Sófocles: ‘Procure e encontrará, pois o que não é procurado permanece para sempre perdido’. Eu diria tão somente: ‘Observe e descobrirá!'

A MOÇA DA CANCELA





NO LOCAL onde trabalho há uma cancela manual. Há uma cancela manual no local onde trabalho. No intervalo para o almoço, para substituir o titular que levanta e abaixa a cancela, há uma moça que fica ali. Uma moça que fica ali. E que sorri abertamente, apesar do peso que levanta a todo o momento, para todos os funcionários e visitantes que passam com o seu automóvel. A moça sorri, não por querer agradar! Ela sorri porque certamente deseja compartilhar a felicidade presente em seu estado interior. A moça sorri. Quem é capaz de perceber? Agora mesmo, ao passar por ali, surpreendi-me com um colega de trabalho levantando a cancela para eu passar, poupando um pouco o esforço físico da moça que sorri. Ela então sorriu mais ainda! 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

MEDITAÇÃO: O DESPERTAR DA VISÃO INTERIOR

Em busca de paz. Com esta leitura, talvez seja possível trilhar um caminho mais leve!


Tom Simões, tomsimoes@hotmail.com, jornalista, Santos (SP), 25 de junho de 2015 




DEDICAMOS todo o tempo da vida pensando. Pensando e fantasiando. Pensando em muitas coisas, necessárias e desnecessárias, sendo que o foco da nossa mente está sempre direcionado para o lado de fora. ‘Minha mente é como um céu, meus pensamentos são como nuvens’, revela o monge budista Geshe Kelsang Gyatso. Assim, o cérebro vai acumulando milhares de informações, difíceis de serem produtivamente processadas. Daí, quando ouvimos falar da tal ‘paz interior’, acreditamos tratar-se de uma fantasia impossível de concretizar.

O verdadeiro conhecimento deve conduzir à transformação interior. De outra forma, é apenas informação. Eu quero imaginar então como o leitor se comportará diante deste conteúdo.  Imaginar se ele conseguirá relaxar durante um tempo para refletir sobre um assunto de fundamental importância para a sua existência: a interiorização. Quem sabe, ao final do texto, seja possível compreender o que é necessário cultivar para atingir o estado de plenitude experimentado pelos sábios e santos que compõem a história da humanidade.

Quem explora esse tema com sabedoria é Sri Daya Mata, filósofa indiana, em ‘Só o amor’: ‘É apenas aprendendo a aquietar nossa consciência, como os grandes mestres nos ensinaram, que poderemos perceber dentro de nós a presença do Divino. Ele tem estado conosco desde o início dos tempos; Ele está conosco agora, e estará conosco por toda a eternidade. Segure-se firme Naquele que é imutável’.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Função social do jornalismo


Função social do jornalismo


Tempo de conciliar informação com educação dos leitores

Jornal Entrevista, Agência de Jornalismo, Universidade Católica de Santos (UniSantos), http://agenciajor.blogspot.com.br/2015/04/tom-simoes.html, março 2015


Tom Simões dirige o Centro de Comunicação do Instituto de Pesca

CERTAMENTE, as pessoas só passam a valorizar a experiência na universidade após muitos anos; é muito comum os ex-colegas, já com a vida estabilizada, sentirem necessidade de rever a turma apenas quando ficam bem mais velhos, daí os emocionados reencontros.

Por volta dos anos 1960, dominava ainda a ideia de que o jornalista tinha de ser polivalente, conhecedor das mais diferentes áreas (política, economia, direito, relações internacionais, sociologia, esportes, artes...), sendo ainda raro o foco na especialização. No meu caso, sentia-me um tanto desestimulado, por não ter despertado ainda interesse por uma área com a qual me identificasse. Outro dado importante no período em que estudava é que eu não tinha o hábito da leitura, que só fui adquirir muitos anos depois. E a leitura intensiva, se os estudantes de jornalismo desejam saber, é o que alicerça a facilidade de criar e o domínio da redação. Portanto, é fundamental que o estudante que não tenha esse hábito, esse interesse absolutamente necessário, comece a ler, ainda que seja uma página diária de um livro, o que poderá fazer focado em temas de interesse próprio. Porque a leitura é como andar de bicicleta, por exemplo, depois que se aprende a andar, não se esquece mais, e cria-se o saudável hábito de superar distâncias. Adquirindo-se o hábito e o prazer de ler, a gente nunca se sente solitário, pois o livro passa a ser um companheiro inseparável.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Vovô Tom

“O BRINQUEDO mais simples, aquele que qualquer menino é capaz de fazer funcionar, chama-se avô.” (Sam Stevenson)




Martim, abril, 1º aninho ! Paixão incontida por automóveis... Uma de suas primeiras manifestações vocais: brum-brum-brum... Nesse final de semana, no colo do vovô, não cansou de apontar o dedinho pra ver carros na rua, repetindo o barulho do motor: brum-brum-brum... 

terça-feira, 14 de abril de 2015

AUTOAJUDA

RESOLVI inserir esta crônica no blog por considerá-la bastante apropriada ao conjunto dos meus textos. Tom Simões


AUTOAJUDA

Martha Medeiros (*), de sua obra “A graça da coisa”, editora L&PM

30 de novembro de 2011



“ESTAVA lendo o divertido e charmoso ‘É tudo tão simples’, de Danuza Leão, quando uma senhora chegou perto, com ar de desprezo, e disse: ‘Não te imaginava lendo autoajuda’. Pensei em responder que Kafka e Tchékhov também são autoajuda: dos eruditos aos passatempos, todo livro escrito com honestidade ajuda. Se bobear, até mesmo embustes tipo ‘Como arranjar marido’ ou ‘Como juntar o primeiro milhão antes dos 30 anos’ ajudam – quer ilusão, toma ilusão.

O psicanalista Contardo Calligaris certa vez afirmou, numa entrevista, que escreve para estimular o leitor a melhorar a qualidade de sua experiência de vida, intensificando-a. E Calligaris realmente consegue esse feito, por isso o leio. Assim como leio e sublinho inúmeras citações do filósofo romeno Cioran, que me ajuda a identificar a miséria humana sob uma ótica extremamente lúcida.

quarta-feira, 18 de março de 2015

PRÁTICA JORNALÍSTICA

Listagem atualizada de vocábulos e expressões que facilitam a redação


Tom Simões, tomsimoes@hotmail.com, março 2015


COLECIONO alguns vocábulos e expressões que podem facilitar a redação no momento da citação das fontes de referência. Sempre que, na leitura, encontro um termo diferente, adiciono à listagem, que mantenho impressa ao lado do computador e compartilho agora com o leitor:

acentua fulano
acredita
acrescenta que
adiciona
admite
afirmou fulano à revista...
a-hã!
, alerta...
aliás,
analisa
a opinião é de
a pesquisa demonstra que
a pesquisa evidencia que
a pesquisa indica que
a pesquisa mostra que
aponta
argumenta...

terça-feira, 3 de março de 2015

O amor não é uma questão de conhecimento

Sabemos tanto, sobre tantas coisas, mas o conhecimento não parece impedir a decadência que vive no homem

Tom Simões, jornalista, Santos (SP), Brasil, tomsimoes@hotmail.com


NO LIVRO ‘Comentários sobre o Viver, Jiddu Krishnamurti, livre-pensador, escreve: “O mero conhecimento, independente do quão amplo e elaborado seja, não resolverá nossos problemas humanos; presumir que sim é abrir as portas para a frustração e a infelicidade. Algo muito mais profundo se faz necessário. Um indivíduo pode ter o conhecimento de que o ódio é fútil, mas estar livre do ódio é algo bastante diferente. O amor não é uma questão de conhecimento”. 

Sabemos tanto, sobre tantas coisas, narra o filósofo, mas o conhecimento não parece impedir a decadência que vive no homem. “Os computadores e outros complexos aparelhos eletrônicos superam o homem em cada oportunidade, e, ainda assim, sem o homem, eles não poderiam existir. O simples fato é que alguns cérebros estão ativos, criativos, e o restante de nós vive deles, apodrecendo e frequentemente rejubilando-nos em nossa podridão”.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Insensibilidade



MESMO quando alguém se doa natural e intensamente, quando a generosidade é base de sua natureza humana, nem sempre esse alguém consegue deixar de se surpreender com a insensibilidade de algumas pessoas com as quais convive: a sua frieza, indiferença e ausência de humildade. Melhor então procurar entender a inconsciência delas em sua imaturidade espiritual e não deixar espaço para a mágoa. Uma consciência espiritualizada nesse sentido leva a que se peça proteção divina a seres humanos insensíveis, cujo convívio tem-se de experienciar obrigatoriamente em nossa caminhada evolutiva. Mas isso não impede de, em determinado momento, decidirmos romper definitivamente com uma convivência improdutiva. Ainda que no sentido desta frase, de um autor desconhecido, que diz: “A vida me ensinou a dizer adeus a pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração”. Tom Simões

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

KRISHNAMURTI: A IMPORTÂNCIA DA MUDANÇA

Você nunca reparou que, quando diz ‘tentarei mudar’, não tem intenção alguma de fazer isso? 

http://kfa.org/dialogue-details.php?id=37


Tom Simões, tomsimoes@hotmail.com, Santos (SP), fevereiro 2015 


JIDDU KRISHNAMURTI nasceu na Índia em 1895 e, a partir dos treze anos de idade, passou a ser educado pela Sociedade Teosófica, que o considerava o veículo como "Instrutor do Mundo", cujo advento proclamavam. Krishnamurti logo emergiu como um poderoso, descompromissado e inclassificável instrutor, cujas palestras e escritos não estavam vinculados a nenhuma religião específica, não sendo do Oriente nem do Ocidente, mas para o mundo todo. Nessa ocasião, um repórter, considerando um ato espetacular dissolver uma organização com milhares de membros, perguntou-lhe quem se interessaria em escutá-lo, se não queria seguidores? Krishnamurti respondeu: "Se houver apenas cinco pessoas que queiram escutar, que queiram viver, que tenham a face voltada para a eternidade, será o suficiente. De que servem milhares que não compreendem, completamente imbuídos de preconceitos, que não desejam o novo [...]? Gostaria que todos os que queiram compreender sejam livres, não para me seguir, não para fazer de mim uma gaiola, que se torne uma religião, uma seita. Deverão estar livres de todos os temores [...], do medo da espiritualidade, do medo do amor, do medo da morte, do medo da própria vida”.

Pelo restante de sua vida, Krishnamurti rejeitou insistentemente a posição de guru que tentaram lhe impingir. Continuou a atrair grande audiência através do mundo, mas não reivindicava autoridade, não queria discípulos, e falava sempre como um indivíduo fala a outro. No cerne do seu ensinamento estava a conscientização de que é possível produzir mudanças fundamentais na sociedade apenas pela transformação da consciência individual. Enfatizava constantemente a necessidade do autoconhecimento, bem como, da compreensão da influência restritiva e separativa dos condicionamentos religiosos e nacionalistas. Apontava sempre para a necessidade urgente de abertura, do "vasto espaço no cérebro no qual há inimaginável energia". Isto parece ter sido a fonte de sua própria criatividade e a chave para seu impacto catalítico sobre uma ampla gama de pessoas.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

AÇÃO VOLUNTÁRIA E DESEJO DE PODER

Somente a doação desinteressada por parte de cada indivíduo fará surgir um mundo completamente diferente



Tom Simões, tomsimoes@hotmail.com, Santos (SP), 11 de fevereiro de 2015 


A COOPERAÇÃO ocorre com naturalidade e facilidade quando amamos o que estamos fazendo; desse modo, a cooperação é um prazer. Mas, para amar, deve ocorrer o abandono da ambição, da ganância e da inveja. Não?”, indaga Jiddu Krishnamurti, em ‘Comentários sobre o Viver’ (breves textos, volume 3). O filósofo Krishnamurti desafia os limites do pensamento.

Quando você se dedica a uma ação voluntária, pergunta o filósofo, não seria pelo desejo de ser alguém, de realizar sua ambição, ou para fugir de um sentimento de frustração? “De fato, pode haver alguém com o desejo de ser conhecido como um reformador ou como quem deseja o sucesso. Todos se esforçam para galgar os degraus do sucesso e da fama; isso é normal e humano. Seria mesmo?”

Na visão do autor, você não colocará um fim na crueldade enquanto seus esforços para acabar com ela forem benéficos apenas para si mesmo. “Se não puder realizar sua ambição ou fugir de sua frustração e tristeza ajudando os animais, por exemplo, então, se voltará para outros meios de realização. Tudo isso indica que você não está minimamente interessado nos animais, a não ser como meio para o próprio ganho pessoal”, explica.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

RIO DE JANEIRO: "Você foi feito pra mim"


DE TEMPO EM TEMPO, lá estou eu, Tom Simões. Pra matar a saudade da terra abençoada de um povo querido e hospitaleiro, que tanto aprecio abordar nas ruas para uma agradável e produtiva conversa. Qual é o segredo da felicidade escancarada no rosto daquela gente humilde? Chego até mesmo a perder a noção do tempo quando surge a oportunidade para um bom papo. Quem se fecha e não se arrisca perde essa alegria. O que há de tão mágico na Cidade Maravilhosa? Terá toda aquela peculiar e envolvente paisagem um poder de atração e concentração de forças energéticas da Natureza? Por que então esse fascínio que a cidade desperta à primeira vista nas milhares de pessoas do mundo todo que a visitam durante todo o ano? E o que falar sobre os idosos mais modernos que já conheci até então? É com eles que também me identifico bastante. Fico admirado em observar, por exemplo, grupos de senhoras idosas, naturalmente alegres e dispostas, esportiva e elegantemente vestidas, enfeitando as calçadas de Copacabana, com exemplos de vitalidade. No jeito esportivo de se vestir, na necessidade de estar sempre se renovando, na alegria que contagia. Descontração é sinônimo de proximidade, convívio, familiaridade, intimidade, informalidade: é esse mesmo o jeitão característico do povo da Cidade Maravilhosa. Até mesmo alguns moradores em situação de rua, na Zona Sul, chegam a me surpreender: independentemente de receber ou não uma contribuição, eles sorriem, agradecendo e desejando felicidade ao visitante. Desta vez, tive uma conversa agradável com um pescador de lula, com a sua latinha de cerveja à mão, próximo do local onde ele atraca seu barco, no Canto dos Pescadores, Forte de Copacabana. O pescador e alguns motoristas de táxi, por exemplo, com as suas histórias ‘maravilhosas’ podem explicar também o meu sentimento de profundo encanto pela capital do Rio de Janeiro. Mais uma vez, obrigado Rio: minha eterna fonte de inspiração! Que digam os poetas, músicos, escritores e compositores que lá viveram! Há poucas palavras para expressar a felicidade em revisitar a Terra encantada. Só a minha alma e o meu silêncio podem dar conta do significado do Rio de Janeiro em minha vida. “Minha alma canta quando vejo o Rio de Janeiro. Estou morrendo de saudade. Rio, você foi feito pra mim”. No dia 1º de março a cidade comemora os seus 450 anos! Desejo festejar o Rio de Janeiro como se fosse meu também. Minha família e meus amigos mais próximos são testemunhas da minha paixão pelo Rio. Parabéns ao generoso e descontraído povo carioca! Parabéns aos meus queridos amigos cariocas; vocês são abençoados por nascerem numa terra tão linda, contagiante e acolhedora. É por tudo isso ‘messsmo’ que o Cristo Redentor se mantém sempre ali, de braços abertos! E é por tudo isso também que Tom Jobim compôs a eterna melodia ‘Samba do Avião’:

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Aprendendo a apreciar os outros...


“DEVEMOS saber que o melhor método para estabelecer a paz mundial em geral é a nossa própria paz mental. Devemos aprender também a apreciar os outros. Sem os outros não somos nada. Somos como uma célula no organismo do Universo, dependendo completamente de todos os seres vivos. É possível pensar: ‘onde olhamos só vemos a bondade dos outros’. Onde começa a paz neste mundo? Em nosso próprio coração. Sem a paz interior, a paz exterior é impossível. Eu posso ser feliz e fazer também os outros felizes! O que é felicidade? Buda diz: ‘Felicidade é uma mente serena e feliz’. Então o caminho é transformar a mente. É preciso aplicar mais esforço no coração. O nosso exemplo é algo essencial neste mundo. Precisamos de boas lições e boas intenções para realizar grandes mudanças: mais sabedoria, menos sofrimento, menos insatisfação. Uma mente virtuosa funciona como causa principal para experimentar a verdadeira felicidade. A sabedoria é sempre a causa da felicidade; ela nos conduz por caminhos corretos - nunca nos engana; não são palavras vazias, mas palavras reais. A sabedoria corta os obstáculos; ela é o maestro que levamos no coração - estando sempre conosco, protege-nos! Ensina o que temos de praticar e o que temos de abandonar. ‘Como estou eu? Na hora em que reflito, isso se reflete em minhas ações e, consequentemente, nos outros.’ É preciso então buscar refúgio, alguém que nos indique o caminho, alguém em quem confiamos. É preciso também receber bênçãos, algo intangível que tem um poder muito forte entre nós. E acumular méritos. Para onde queremos ir? A quem podemos beneficiar? Vamos aprender, portanto, a apreciar o Mundo. E tornar significativas as nossas liberdades!”

domingo, 4 de janeiro de 2015

“Donos” do Conhecimento

3 de janeiro de 2015



"OS INTELECTUAIS sabem de tudo, desconhecem apenas a si mesmos. Prefiro os sábios.”

Tom Simões

MISSÃO: BENEFICIAR AS PESSOAS

Meus amigos mais próximos sabem bem disso...

Tom Simões, 3 de janeiro de 2015



“OS MAIORES aprendizados que tive na vida estiveram conectados à inspiração de certos mestres que conheci ao longo do caminho”, conta Claudio Naranjo, psicoterapeuta e educador chileno. Eu também, em muitos e muitos anos venho recolhendo a sabedoria das mais variadas fontes, sintetizando-as, guardando-as em arquivos para meus filhos e compartilhando parte delas, sempre que tenho oportunidade. Desenvolvo essa prática como uma espécie de missão: beneficiar as pessoas. “Esforça-te, sempre e em tudo, para obter, ao mesmo tempo, o útil para os outros e o agradável para ti mesmo”, inspira-me G.I. Gurdjieff, místico nascido na Armênia, então parte do Império Russo, num trecho de sua obra “Encontros com Homens Notáveis”. Outra inspiração vem de Tommaso Campanella, filósofo, poeta e teólogo dominicano nascido na Itália à época do Renascimento: “O amor, na comunidade, não seria como uma gota de mel em muita água, mas como um pequeno fogo em muita estopa”.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

NATAL: CADÊ JESUS?

 Tom Simões, tomsimoes@hotmail.com, dezembro de 2014 


A PROPÓSITO, nessa busca desenfreada pelas compras, se alguém encontrar Jesus Cristo por aí, em alguma loja comercial, avise-me. É que é Natal! Mas Natal não se resume em bonitas decorações e presentes, pois sua essência é a lembrança do aniversário do nascimento Daquele que deu a vida por nós. Então, qual é mesmo o verdadeiro significado do Natal? É a celebração desse eterno ato de amor: Deus se transformando num ser humano na pessoa de Jesus Cristo. Portanto, vai ser mesmo difícil encontrar Jesus Cristo em alguma loja. Será mais fácil nos surpreendermos com Ele conversando com um morador em situação de rua ou em alguma instituição de caridade. Mas, infelizmente, raras pessoas terão oportunidade de experienciá-Lo no Natal!

Há algo que diz: “O Amor Crístico faz do espírito uma chama a iluminar em seu derredor, pois estabelece uma compreensão que abrange as dificuldades das pessoas, estendendo atenção e pensamento de amor e fraternidade. Infelizmente, a ignorância ainda serve de acolhedouro daqueles que não alcançaram as forças necessárias para se lançar nos mares abertos do bem”.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A Alma do Museu (*)

Por Antônio Carlos Simões, jornalista, ex-diretor do Museu de Pesca de Santos (SP) e atual diretor do Centro de Comunicação do Instituto de Pesca, www.pesca.sp.gov.br, novembro de 2008 



Lembrando o cronista Rubem Alves, “Comemorar quer dizer ‘trazer de novo à memória’. Para quê? Para que se cumpra o ditado popular que diz ‘recordar é viver’. Dentre todos os seres vivos, os seres humanos são os únicos que se alimentam do passado.

Revela também o cronista: “Proust deu o nome de ‘Em Busca do Tempo Perdido’ à sua obra clássica. Se está perdido irremediavelmente no passado, por que se entregar à tarefa inútil de procurá-lo? Por fora, no mundo cotidiano do trabalho, estamos em busca de coisas novas. Mas a alma, nas penumbras em que mora, vive à procura de coisas velhas. Alma é saudade. Saudade é a inclinação da alma na direção das coisas amadas que se perderam. Saudade é a presença de uma ausência”.

Ao longo de sua representativa história, de todos os papéis desempenhados pelo nosso Museu de Pesca, há um deles que não retrata objetos, patrimônio, cultura, história, ensino, turismo... Este papel a que me refiro, para mim o mais importante, por se tratar do que é essencial em sua missão construtiva, diz respeito à Alma do Museu. Sim, à Alma do Museu.