terça-feira, 14 de abril de 2015

AUTOAJUDA

RESOLVI inserir esta crônica no blog por considerá-la bastante apropriada ao conjunto dos meus textos. Tom Simões


AUTOAJUDA

Martha Medeiros (*), de sua obra “A graça da coisa”, editora L&PM

30 de novembro de 2011



“ESTAVA lendo o divertido e charmoso ‘É tudo tão simples’, de Danuza Leão, quando uma senhora chegou perto, com ar de desprezo, e disse: ‘Não te imaginava lendo autoajuda’. Pensei em responder que Kafka e Tchékhov também são autoajuda: dos eruditos aos passatempos, todo livro escrito com honestidade ajuda. Se bobear, até mesmo embustes tipo ‘Como arranjar marido’ ou ‘Como juntar o primeiro milhão antes dos 30 anos’ ajudam – quer ilusão, toma ilusão.

O psicanalista Contardo Calligaris certa vez afirmou, numa entrevista, que escreve para estimular o leitor a melhorar a qualidade de sua experiência de vida, intensificando-a. E Calligaris realmente consegue esse feito, por isso o leio. Assim como leio e sublinho inúmeras citações do filósofo romeno Cioran, que me ajuda a identificar a miséria humana sob uma ótica extremamente lúcida.

quarta-feira, 18 de março de 2015

PRÁTICA JORNALÍSTICA

Listagem atualizada de vocábulos e expressões que facilitam a redação


Tom Simões, tomsimoes@hotmail.com, março 2015


COLECIONO alguns vocábulos e expressões que podem facilitar a redação no momento da citação das fontes de referência. Sempre que, na leitura, encontro um termo diferente, adiciono à listagem, que mantenho impressa ao lado do computador e compartilho agora com o leitor:

acentua fulano
acredita
acrescenta que
adiciona
admite
afirmou fulano à revista...
a-hã!
, alerta...
aliás,
analisa
a opinião é de
a pesquisa demonstra que
a pesquisa evidencia que
a pesquisa indica que
a pesquisa mostra que
aponta
argumenta...

terça-feira, 3 de março de 2015

O amor não é uma questão de conhecimento

Sabemos tanto, sobre tantas coisas, mas o conhecimento não parece impedir a decadência que vive no homem

Tom Simões, jornalista, Santos (SP), Brasil, tomsimoes@hotmail.com


NO LIVRO ‘Comentários sobre o Viver, Jiddu Krishnamurti, livre-pensador, escreve: “O mero conhecimento, independente do quão amplo e elaborado seja, não resolverá nossos problemas humanos; presumir que sim é abrir as portas para a frustração e a infelicidade. Algo muito mais profundo se faz necessário. Um indivíduo pode ter o conhecimento de que o ódio é fútil, mas estar livre do ódio é algo bastante diferente. O amor não é uma questão de conhecimento”. 

Sabemos tanto, sobre tantas coisas, narra o filósofo, mas o conhecimento não parece impedir a decadência que vive no homem. “Os computadores e outros complexos aparelhos eletrônicos superam o homem em cada oportunidade, e, ainda assim, sem o homem, eles não poderiam existir. O simples fato é que alguns cérebros estão ativos, criativos, e o restante de nós vive deles, apodrecendo e frequentemente rejubilando-nos em nossa podridão”.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Insensibilidade



MESMO quando alguém se doa natural e intensamente, quando a generosidade é base de sua natureza humana, nem sempre esse alguém consegue deixar de se surpreender com a insensibilidade de algumas pessoas com as quais convive: a sua frieza, indiferença e ausência de humildade. Melhor então procurar entender a inconsciência delas em sua imaturidade espiritual e não deixar espaço para a mágoa. Uma consciência espiritualizada nesse sentido leva a que se peça proteção divina a seres humanos insensíveis, cujo convívio tem-se de experienciar obrigatoriamente em nossa caminhada evolutiva. Mas isso não impede de, em determinado momento, decidirmos romper definitivamente com uma convivência improdutiva. Ainda que no sentido desta frase, de um autor desconhecido, que diz: “A vida me ensinou a dizer adeus a pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração”. Tom Simões

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

KRISHNAMURTI: A IMPORTÂNCIA DA MUDANÇA

Você nunca reparou que, quando diz ‘tentarei mudar’, não tem intenção alguma de fazer isso? 

http://kfa.org/dialogue-details.php?id=37


Tom Simões, tomsimoes@hotmail.com, Santos (SP), fevereiro 2015 


JIDDU KRISHNAMURTI nasceu na Índia em 1895 e, a partir dos treze anos de idade, passou a ser educado pela Sociedade Teosófica, que o considerava o veículo como "Instrutor do Mundo", cujo advento proclamavam. Krishnamurti logo emergiu como um poderoso, descompromissado e inclassificável instrutor, cujas palestras e escritos não estavam vinculados a nenhuma religião específica, não sendo do Oriente nem do Ocidente, mas para o mundo todo. Nessa ocasião, um repórter, considerando um ato espetacular dissolver uma organização com milhares de membros, perguntou-lhe quem se interessaria em escutá-lo, se não queria seguidores? Krishnamurti respondeu: "Se houver apenas cinco pessoas que queiram escutar, que queiram viver, que tenham a face voltada para a eternidade, será o suficiente. De que servem milhares que não compreendem, completamente imbuídos de preconceitos, que não desejam o novo [...]? Gostaria que todos os que queiram compreender sejam livres, não para me seguir, não para fazer de mim uma gaiola, que se torne uma religião, uma seita. Deverão estar livres de todos os temores [...], do medo da espiritualidade, do medo do amor, do medo da morte, do medo da própria vida”.

Pelo restante de sua vida, Krishnamurti rejeitou insistentemente a posição de guru que tentaram lhe impingir. Continuou a atrair grande audiência através do mundo, mas não reivindicava autoridade, não queria discípulos, e falava sempre como um indivíduo fala a outro. No cerne do seu ensinamento estava a conscientização de que é possível produzir mudanças fundamentais na sociedade apenas pela transformação da consciência individual. Enfatizava constantemente a necessidade do autoconhecimento, bem como, da compreensão da influência restritiva e separativa dos condicionamentos religiosos e nacionalistas. Apontava sempre para a necessidade urgente de abertura, do "vasto espaço no cérebro no qual há inimaginável energia". Isto parece ter sido a fonte de sua própria criatividade e a chave para seu impacto catalítico sobre uma ampla gama de pessoas.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

AÇÃO VOLUNTÁRIA E DESEJO DE PODER

Somente a doação desinteressada por parte de cada indivíduo fará surgir um mundo completamente diferente



Tom Simões, tomsimoes@hotmail.com, Santos (SP), 11 de fevereiro de 2015 


A COOPERAÇÃO ocorre com naturalidade e facilidade quando amamos o que estamos fazendo; desse modo, a cooperação é um prazer. Mas, para amar, deve ocorrer o abandono da ambição, da ganância e da inveja. Não?”, indaga Jiddu Krishnamurti, em ‘Comentários sobre o Viver’ (breves textos, volume 3). O filósofo Krishnamurti desafia os limites do pensamento.

Quando você se dedica a uma ação voluntária, pergunta o filósofo, não seria pelo desejo de ser alguém, de realizar sua ambição, ou para fugir de um sentimento de frustração? “De fato, pode haver alguém com o desejo de ser conhecido como um reformador ou como quem deseja o sucesso. Todos se esforçam para galgar os degraus do sucesso e da fama; isso é normal e humano. Seria mesmo?”

Na visão do autor, você não colocará um fim na crueldade enquanto seus esforços para acabar com ela forem benéficos apenas para si mesmo. “Se não puder realizar sua ambição ou fugir de sua frustração e tristeza ajudando os animais, por exemplo, então, se voltará para outros meios de realização. Tudo isso indica que você não está minimamente interessado nos animais, a não ser como meio para o próprio ganho pessoal”, explica.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

RIO DE JANEIRO: "Você foi feito pra mim"


DE TEMPO EM TEMPO, lá estou eu, Tom Simões. Pra matar a saudade da terra abençoada de um povo querido e hospitaleiro, que tanto aprecio abordar nas ruas para uma agradável e produtiva conversa. Qual é o segredo da felicidade escancarada no rosto daquela gente humilde? Chego até mesmo a perder a noção do tempo quando surge a oportunidade para um bom papo. Quem se fecha e não se arrisca perde essa alegria. O que há de tão mágico na Cidade Maravilhosa? Terá toda aquela peculiar e envolvente paisagem um poder de atração e concentração de forças energéticas da Natureza? Por que então esse fascínio que a cidade desperta à primeira vista nas milhares de pessoas do mundo todo que a visitam durante todo o ano? E o que falar sobre os idosos mais modernos que já conheci até então? É com eles que também me identifico bastante. Fico admirado em observar, por exemplo, grupos de senhoras idosas, naturalmente alegres e dispostas, esportiva e elegantemente vestidas, enfeitando as calçadas de Copacabana, com exemplos de vitalidade. No jeito esportivo de se vestir, na necessidade de estar sempre se renovando, na alegria que contagia. Descontração é sinônimo de proximidade, convívio, familiaridade, intimidade, informalidade: é esse mesmo o jeitão característico do povo da Cidade Maravilhosa. Até mesmo alguns moradores em situação de rua, na Zona Sul, chegam a me surpreender: independentemente de receber ou não uma contribuição, eles sorriem, agradecendo e desejando felicidade ao visitante. Desta vez, tive uma conversa agradável com um pescador de lula, com a sua latinha de cerveja à mão, próximo do local onde ele atraca seu barco, no Canto dos Pescadores, Forte de Copacabana. O pescador e alguns motoristas de táxi, por exemplo, com as suas histórias ‘maravilhosas’ podem explicar também o meu sentimento de profundo encanto pela capital do Rio de Janeiro. Mais uma vez, obrigado Rio: minha eterna fonte de inspiração! Que digam os poetas, músicos, escritores e compositores que lá viveram! Há poucas palavras para expressar a felicidade em revisitar a Terra encantada. Só a minha alma e o meu silêncio podem dar conta do significado do Rio de Janeiro em minha vida. “Minha alma canta quando vejo o Rio de Janeiro. Estou morrendo de saudade. Rio, você foi feito pra mim”. No dia 1º de março a cidade comemora os seus 450 anos! Desejo festejar o Rio de Janeiro como se fosse meu também. Minha família e meus amigos mais próximos são testemunhas da minha paixão pelo Rio. Parabéns ao generoso e descontraído povo carioca! Parabéns aos meus queridos amigos cariocas; vocês são abençoados por nascerem numa terra tão linda, contagiante e acolhedora. É por tudo isso ‘messsmo’ que o Cristo Redentor se mantém sempre ali, de braços abertos! E é por tudo isso também que Tom Jobim compôs a eterna melodia ‘Samba do Avião’:

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Aprendendo a apreciar os outros...


“DEVEMOS saber que o melhor método para estabelecer a paz mundial em geral é a nossa própria paz mental. Devemos aprender também a apreciar os outros. Sem os outros não somos nada. Somos como uma célula no organismo do Universo, dependendo completamente de todos os seres vivos. É possível pensar: ‘onde olhamos só vemos a bondade dos outros’. Onde começa a paz neste mundo? Em nosso próprio coração. Sem a paz interior, a paz exterior é impossível. Eu posso ser feliz e fazer também os outros felizes! O que é felicidade? Buda diz: ‘Felicidade é uma mente serena e feliz’. Então o caminho é transformar a mente. É preciso aplicar mais esforço no coração. O nosso exemplo é algo essencial neste mundo. Precisamos de boas lições e boas intenções para realizar grandes mudanças: mais sabedoria, menos sofrimento, menos insatisfação. Uma mente virtuosa funciona como causa principal para experimentar a verdadeira felicidade. A sabedoria é sempre a causa da felicidade; ela nos conduz por caminhos corretos - nunca nos engana; não são palavras vazias, mas palavras reais. A sabedoria corta os obstáculos; ela é o maestro que levamos no coração - estando sempre conosco, protege-nos! Ensina o que temos de praticar e o que temos de abandonar. ‘Como estou eu? Na hora em que reflito, isso se reflete em minhas ações e, consequentemente, nos outros.’ É preciso então buscar refúgio, alguém que nos indique o caminho, alguém em quem confiamos. É preciso também receber bênçãos, algo intangível que tem um poder muito forte entre nós. E acumular méritos. Para onde queremos ir? A quem podemos beneficiar? Vamos aprender, portanto, a apreciar o Mundo. E tornar significativas as nossas liberdades!”

domingo, 4 de janeiro de 2015

“Donos” do Conhecimento

3 de janeiro de 2015



"OS INTELECTUAIS sabem de tudo, desconhecem apenas a si mesmos. Prefiro os sábios.”

Tom Simões

MISSÃO: BENEFICIAR AS PESSOAS

Meus amigos mais próximos sabem bem disso...

Tom Simões, 3 de janeiro de 2015



“OS MAIORES aprendizados que tive na vida estiveram conectados à inspiração de certos mestres que conheci ao longo do caminho”, conta Claudio Naranjo, psicoterapeuta e educador chileno. Eu também, em muitos e muitos anos venho recolhendo a sabedoria das mais variadas fontes, sintetizando-as, guardando-as em arquivos para meus filhos e compartilhando parte delas, sempre que tenho oportunidade. Desenvolvo essa prática como uma espécie de missão: beneficiar as pessoas. “Esforça-te, sempre e em tudo, para obter, ao mesmo tempo, o útil para os outros e o agradável para ti mesmo”, inspira-me G.I. Gurdjieff, místico nascido na Armênia, então parte do Império Russo, num trecho de sua obra “Encontros com Homens Notáveis”. Outra inspiração vem de Tommaso Campanella, filósofo, poeta e teólogo dominicano nascido na Itália à época do Renascimento: “O amor, na comunidade, não seria como uma gota de mel em muita água, mas como um pequeno fogo em muita estopa”.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

NATAL: CADÊ JESUS?

 Tom Simões, tomsimoes@hotmail.com, dezembro de 2014 


A PROPÓSITO, nessa busca desenfreada pelas compras, se alguém encontrar Jesus Cristo por aí, em alguma loja comercial, avise-me. É que é Natal! Mas Natal não se resume em bonitas decorações e presentes, pois sua essência é a lembrança do aniversário do nascimento Daquele que deu a vida por nós. Então, qual é mesmo o verdadeiro significado do Natal? É a celebração desse eterno ato de amor: Deus se transformando num ser humano na pessoa de Jesus Cristo. Portanto, vai ser mesmo difícil encontrar Jesus Cristo em alguma loja. Será mais fácil nos surpreendermos com Ele conversando com um morador em situação de rua ou em alguma instituição de caridade. Mas, infelizmente, raras pessoas terão oportunidade de experienciá-Lo no Natal!

Há algo que diz: “O Amor Crístico faz do espírito uma chama a iluminar em seu derredor, pois estabelece uma compreensão que abrange as dificuldades das pessoas, estendendo atenção e pensamento de amor e fraternidade. Infelizmente, a ignorância ainda serve de acolhedouro daqueles que não alcançaram as forças necessárias para se lançar nos mares abertos do bem”.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

A Alma do Museu (*)

Por Antônio Carlos Simões, jornalista, ex-diretor do Museu de Pesca de Santos (SP) e atual diretor do Centro de Comunicação do Instituto de Pesca, www.pesca.sp.gov.br, novembro de 2008 



Lembrando o cronista Rubem Alves, “Comemorar quer dizer ‘trazer de novo à memória’. Para quê? Para que se cumpra o ditado popular que diz ‘recordar é viver’. Dentre todos os seres vivos, os seres humanos são os únicos que se alimentam do passado.

Revela também o cronista: “Proust deu o nome de ‘Em Busca do Tempo Perdido’ à sua obra clássica. Se está perdido irremediavelmente no passado, por que se entregar à tarefa inútil de procurá-lo? Por fora, no mundo cotidiano do trabalho, estamos em busca de coisas novas. Mas a alma, nas penumbras em que mora, vive à procura de coisas velhas. Alma é saudade. Saudade é a inclinação da alma na direção das coisas amadas que se perderam. Saudade é a presença de uma ausência”.

Ao longo de sua representativa história, de todos os papéis desempenhados pelo nosso Museu de Pesca, há um deles que não retrata objetos, patrimônio, cultura, história, ensino, turismo... Este papel a que me refiro, para mim o mais importante, por se tratar do que é essencial em sua missão construtiva, diz respeito à Alma do Museu. Sim, à Alma do Museu.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

SOB O VIADUTO, DOIS COLCHÕES, UM BEBÊ E UMA ÁRVORE DE NATAL

Tom Simões, jornalista, Santos (SP), tomsimoes@hotmail.com


NA TARDE de ontem, 26 de novembro, dirigindo-me a um shopping para almoçar, na capital paulista, onde trabalhava nesse dia, eu passava por debaixo de um viaduto onde alguns moradores em situação de rua costumam acomodar-se. Moro na cidade de Santos. A inusitada cena emocionou-me. Ao lado de dois colchões, uma árvore de Natal! No regresso do almoço, no mesmo local, ao lado da árvore de Natal, deparei-me então com um casal, que não aparentava a condição de viver na rua, cuja mulher dava mamadeira a um bebê. Imediatamente imaginei o meu neto, Martim, de seis meses, naquela realidade. Imaginei tratar-se, talvez, de um casal de outra cidade, outro Estado, que resolveu arriscar a vida na cidade de São Paulo, como é comum na população sem moradia. A cena fixou-se em minha mente, até mesmo antes da hora de dormir, na cama, quando me concentrei no sentido de que a proteção divina lá estivesse iluminando o destino daqueles três seres humanos. E, refletindo sobre a experiência, não me perdoei por não ter ali retornado para reviver o Cristo que trago dentro de mim, exercitando o verdadeiro espírito natalino. Poderia ser apenas para lhes oferecer o pouco que tinha na carteira, ou trocar algumas palavras, trocar humanidade, trazer encorajamento. Quem sabe, na próxima semana, quando retorno à capital paulista, ainda os encontre! É claro que o meu desejo é que o casal encontre rapidamente o destino esperado. Questão de dignidade humana!


“HÁ UM DEUS dentro de mim,
há um mundo ao meu redor.
Se estiver ouvindo o mundo,
ao meu Deus ouço melhor.”
Rudolf Steiner

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

JORNALISMO E PSICOLOGIA

Quando o que se escreve pode melhorar a qualidade de vida do leitor
Tom Simões, Santos (SP), tomsimoes@hotmail.com


LEIO, leio muito! E tenho o hábito de sintetizar o conteúdo de cada obra lida; meus livros estão todos assinalados. Tive um professor de redação, Eron Brum, no curso de Jornalismo, que me disse, certa vez, ter eu talento para sintetizar. Só com o passar do tempo dei conta disso.
Atualmente, um dos meus propósitos fundamentais na vida é compartilhar o conhecimento capaz de levar o leitor à autorreflexão e possível mudança de comportamento. Sinto-me como não conseguindo acumular tanta informação capaz de melhorar a vida das pessoas, daí a necessidade do compartilhamento. As minhas leituras - focadas principalmente nas áreas da psicologia e filosofia, com base em pesquisas científicas -, dão conta que a orientação psicológica do ser humano é tudo o que o mundo precisa. Popularizar a ciência nesse sentido é, portanto, essencial à natureza humana.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

SALAS DE ESPERA DE CONSULTÓRIOS

A minha ideia é substituir programações televisivas por vídeos educativos

Tom Simões, jornalista, tomsimoes@hotmail.com, Santos (São Paulo, Brasil) 


Imagem: http://chiav.wordpress.com/ 

AO SUBMETER-ME recentemente a alguns exames médicos, impressionei-me com a prática comum do uso da televisão nos consultórios e clínicas médicas, sintonizada em programas, para mim um tanto estressantes. Daí eu imaginar algumas pessoas, muitas vezes tensas ou deprimidas, aguardando o atendimento, terem de se submeter obrigatoriamente a uma programação televisiva indesejada e, frequentemente, com o som alto.

É claro que o propósito do médico é distrair o cliente enquanto ele aguarda a vez de ser atendido, embora eu creia que a secretária distraia-se mais, por ser ela provavelmente a responsável pela escolha dos canais. Então imagino que as salas de espera deveriam ser transformadas num ambiente propício para acalmar as emoções e relaxar. Penso ser melhor para o cliente acalmar a mente antes de um exame médico do que deixá-la inquieta, repleta de informações que incluem tragédias e outras tristezas.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

JORNAIS PRECISAM ACOMPANHAR AS NECESSIDADES DO NOVO HOMEM


PARABÉNS, Nizan Guanaes, ombudsman (por um dia) da Folha de S.Paulo, pelo excelente e oportuno comentário: ‘Surpresa’, http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/09/1524016-obudsman-por-um-dia-surpresa.shtml ! Até então, eu me sentia muito solitário pensando da forma como o brilhante publicitário aborda o assunto: “Vendo o Facebook, o Twitter e o Instagram, fica muito claro que os seres humanos do século 21 não querem só conversar sobre política e economia, economia e política. O homem de hoje é um ser renascentista. Ele quer falar de comida, mas também quer falar de nutrição. Quer falar de futebol, mas também de maratonas, Ironman e surfe. Ele quer falar sobre negócios, mas quer ler sobre todos os flagelos que afligem os CEOs e os executivos hoje, como o stress e a exaustão digital. E os jornais podem fazer tudo isso sem macular o jornalismo, como comprovam de maneira esplêndida  ‘The New York Times’, ‘The Guardian’ e o ‘Financial Times’, para citar alguns exemplos”.

Não é a primeira vez que insisto na necessidade de a Folha destacar também artigos que levem o leitor à autorreflexão e mudança positiva de comportamento. Com páginas e mais páginas com os horrores do dia a dia e as publicidades da vida, há espaço suficiente para incluir a satisfação e o aprendizado do leitor no noticiário diário.  

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

“A ESSÊNCIA DO AMOR”

O amor não tem nada a ver com o outro. Compreenda a natureza do amor e como nutri-lo.

Tom Simões, tomsimoes@hotmail.com, jornalista, Santos (SP), Brasil


NOS ÚLTIMOS ANOS, citando a obra “Budismo Moderno”, nosso conhecimento tecnológico moderno aumentou consideravelmente e, como resultado, testemunhamos um extraordinário progresso material, porém não houve, correspondentemente, um aumento da felicidade humana. No mundo de hoje, não há menos sofrimento nem menos problemas do que antes.

Por outro lado, copiando o psicanalista Francisco Daudt, na crônica “Lei de Pedro Aleixo” (Folha de S.Paulo, 17/9/2014), o programa inato mais espetacular com que a natureza nos dotou é o de aprendizado. “Não há nada igual em complexidade e beleza. É ele que forma aquilo que somos, o que chamamos nosso ‘Eu’. Através da Identificação. Ela começa com a simples imitação, foi assim que aprendemos a falar. Mas imitar alguém que admiramos, alguém que nos toca pela integridade, pela ética, pela postura, pela sabedoria, pelas virtudes cultivadas, nos leva a um processo de incorporação autoral: aquilo que absorvemos, e que se sintoniza com o que temos de melhor, deixa de ser do outro, torna-se fragmento, não de uma colcha de retalhos, mas da trama inconsútil que nos constitui. Disse Paulo Freire: quem aprende bem algo com alguém, desse algo, ou desse alguém, torna-se coautor.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A felicidade onde você menos espera


 Tom Brady, Folha de S.Paulo, caderno The New York Times, 9/9/2014 (*)


“QUANDO Thomas Jefferson declarou ‘a busca da Felicidade’ como um direito inalienável em seu rascunho da Declaração da Independência Americana, ele provavelmente não esperava que um dia isso se tornasse uma disciplina acadêmica.

Especialistas do novo campo de estudos da felicidade descobriram que as experiências tendem a tornar as pessoas mais felizes do que as posses. Dois professores, Amit Bhattacharjee e Cassie Mogilner, elaboraram um estudo para descobrir quais experiências tornam as pessoas mais felizes e por quê. O que eles constataram repetidamente foi que, à medida que as pessoas envelhecem, elas passam a desfrutar mais as experiências simples. Na verdade, com o passar do tempo, a probabilidade de ficar contente com coisas do dia a dia se iguala ao prazer de viagens exóticas ou refeições em restaurantes caros.

Os próprios pais de Bhattacharjee, imigrantes indianos, foram objeto de estudo. Quando seu irmão mais novo entrou na faculdade, os dois filhos enviaram aos pais vales para restaurantes e ingressos de teatro para que pudessem desfrutar da nova liberdade. ‘O interesse deles foi zero’, disse Bhattacharjee em entrevista ao ‘The New York Times’. Eles realmente apreciam as coisas simples’.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

MUDANÇA POSITIVA NO LUGAR DA MESMICE

Quem se atreve?

Tom Simões, tomsimoes@hotmail.com, jornalista, Santos (SP), Brasil 



PENSANDO num dia diferente? Com algo de novo a introduzir em sua rotina? Às vezes é preciso coragem para experimentar algo incomum. Cumprimentar um desconhecido no elevador, com um sorriso, por exemplo. Oferecer um lanche ao faxineiro do prédio. Olhar para o céu e relaxar, esvaziando a mente por algum tempo. Lavar a louça de casa, quando não se está acostumado a tal prática. Telefonar para o amigo que não encontra há um longo tempo. Oferecer algo de coração a um morador de rua. Desligar o chuveiro enquanto se ensaboa. Com o tempo, ao experimentar essas ‘novidades’ voluntárias, desinteresseiras, é possível transformar momentos de tristeza, que surgem inevitavelmente, sem explicação maior, em felicidade. Porque prazer é fácil obter. A gente pode comprar ‘prazer’ a todo instante. Mas felicidade, não! Pois há algo imprescindível para a conquista da felicidade, algo que se pode chamar de ‘doação voluntária’: essa coisa de se entregar a ações solidárias, solitárias, sem espera de retorno pessoal. Recentemente li algo sobre uma das ‘inteligências múltiplas’, a capacidade de perceber estados ou emoções nos outros para descobrir do que precisam para podermos ajudar, ensinar ou simplesmente manter um bom relacionamento... diversão, amor, amizade etc. É muito bom então pensar em fazer o que alegra o seu coração. Podemos observar a surpresa e a admiração no outro, que são naturalmente despertadas em tais circunstâncias. Adam Smith (citado pelo psicólogo americano Paul Bloom em “O que nos faz bons ou maus”) lembra que “Por mais egoísta que se creia ser o homem, existem, evidentemente, alguns princípios em sua natureza que o fazem se interessar pela bem-aventurança dos outros, e tornam a felicidade dos outros necessária para ele, embora ele não obtenha nada com isso, exceto o prazer de observá-la”. Desenvolva, pois, esse exercício diário e avalie, com o tempo, se ainda persistem aqueles inevitáveis momentos de tristeza! Caso não persistam, ótimo para você, a família e o mundo. Caso persistam, é bom pensar em um terapeuta... ou um bom amigo! O que o leitor tem a dizer sobre tudo isso?

EMPREGADOS DE CONDOMÍNIOS: MUITOS PASSAM COM (OU ATÉ SEM) ALIMENTO MÍNIMO

Triste realidade ignorada por moradores

Tom Simões, tomsimoes@hotmail.com, jornalista, Santos (SP), Brasil 


NADA contra uma “Cãominhada”, passeio com cães, muitos deles fantasiados, que acontece anualmente na orla da cidade de Santos (SP). Respeito os adeptos. Eu também gosto muito de animais, mas certamente esse evento me deprime um pouco. Será que os bichinhos gostam naturalmente desse desfile? E foi justamente num desses dias de “Cãominhada”, de atenção total aos pets, que uma triste realidade presente em muitos condomínios veio às minhas vistas. Ao chegar ao prédio onde resido, por volta das 12 horas, após um passeio na praia, chocou-me o rapaz da limpeza almoçando duas bananas e um ‘Bis’. E não se tratava de sobremesa, diga-se de passagem. E também não foi a primeira vez que me surpreendi com funcionário comendo banana na hora do almoço ou algum outro alimento parco, apenas para enganar a fome.

Esse fato trouxe à minha consciência que muitas vezes sobras de comida são jogadas no lixo no dia seguinte. Comida que poderia representar uma refeição para uma pessoa subalimentada.