segunda-feira, 26 de março de 2018

POR QUE A CORUJA É O SÍMBOLO DA FILOSOFIA?

Filosofia: Aspiração por Sabedoria


(compilado por Tom Simões, www.tomsimoes.com, março 2018)




"Filosofar é passear com um saco e, ao encontrar alguma coisa que sirva, pegar." 

(Gilles Deleuze, 1925-1995, filósofo francês)



A ‘CORUJA DA FILOSOFIA’ é a Coruja de Minerva. Na mitologia romana, Minerva é uma deusa. Na mitologia romana, Minerva era a deusa (divindade) da sabedoria, do conhecimento, da guerra, das artes, da estratégia militar, da música e da indústria. Sua equivalente na mitologia grega é a deusa Atena. De acordo com a lenda, a deusa Athena é a filha predileta do deus dos deuses, Zeus, uma divindade mitológica grega, e da deusa Metis - na mitologia grega, a deusa da saúde, proteção, astúcia, prudência e virtude, cujo nome significa ‘conselheira’, e que indica a posse de uma sabedoria prática.

Desde muito tempo, a coruja é tida como um dos símbolos da sabedoria. Quando a imagem de algum deus aparecia com uma coruja ao lado, este deus era apresentado como portador da sabedoria.


A coruja tem a capacidade de enxergar na escuridão, conseguindo ver o que outros não veem. A constituição física do seu pescoço permite que ela enxergue tudo em sua volta. Essa seria a pretensão da filosofia, por meio da razão poder ver racionalmente e entender o mundo, mesmo nos seus aspectos mais obscuros. E ainda, enxergá-lo sob os mais diversos ângulos. ‘O sábio enxerga coisas que os ignorantes não veem.


A coruja é uma ave de hábitos diferentes das outras aves; quando todas estão migrando ou voltando para o ninho no final do dia, a coruja sai para fazer um voo panorâmico sobre toda a sua região para descobrir o que lhe restou daquele dia. São animais com hipermetropia, não enxergam perto (a poucos centímetros), porém, em distâncias maiores, sua visão é perfeita, principalmente com pouca luz. A coruja é conhecida por ter olhos bem grandes; também tem a particularidade de girar o pescoço quase por completo para observar algo ao seu redor, permanecendo com o resto do corpo sem o menor movimento.

Qual a sua relação então com a filosofia?


A filosofia, por analogia, possui faculdades ‘idênticas’ às da coruja. Realiza um ‘voo’ sobre todas as realidades que cercam o homem e descobre o que ‘restou do dia’.

O filósofo é chamado a alçar voo no seu pensamento; ele tem os sentidos aguçados sobre as coisas, ele não é melhor do que outros, mas realiza a sua missão de enxergar de cima todas as coisas.
A sabedoria tem olhos grandes, não para cobiçar, mas para ver os detalhes, pois a sua visão deve ser completa.

A coruja é a ave soberana da noite. Para muitos povos, significa mistério, inteligência e sabedoria. Simboliza a reflexão, o conhecimento racional e intuitivo.

Os gregos consideravam a noite como o momento propício para o pensamento filosófico. Por sua característica de animal notívago (noturno), a coruja era vista pelos gregos como símbolo da busca pelo conhecimento.

Havia uma tradição que dizia: ‘Quem come carne de coruja adquire seus dons de previsão e clarividências, mostrando poderes divinatórios’ (capacidade de adivinhar).
Enquanto todos dormem, a coruja fica acordada, com os olhos arregalados, vigilante e atenta aos barulhos da noite. Por isso, ela representa para muitas culturas uma poderosa e profunda conhecedora do oculto.
A frase de Hegel, ‘A Coruja de Minerva levanta voo somente ao entardecer’, alude ao papel importante que desempenha a filosofia. Ou seja, a filosofia só pode dizer algo sobre o mundo através da linguagem da razão, depois de as coisas terem acontecido. Assim, para a modernidade ocidental, o símbolo da filosofia passa a ser a ‘coruja’, uma vez que a visão dessa ave não é unidirecional, pois ela gira a cabeça quase por completo, olhando para todos os lados. Daí porque a coruja e a filosofia andam juntas.
A coruja não é bela. Platão era tido como belo e Sócrates, como feio. Platão tinha uma visão unificadora, enquanto Sócrates era quase um perspectivista. Platão ensinava em uma escola que, muitas vezes, foi oficial. Mas Sócrates ensinava nas ruas. Foi acusado e condenado por seduzir os jovens, por roubá-los da Cidade, da Pólis. A coruja, por sua vez, é a ave de rapina por excelência e apanha os descuidados na noite, levando-os para o seu ninho.
E então, dá para entender, agora, o que é que a coruja e a filosofia têm em comum?...


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