A necessidade de redesenhar seus currículos para estabelecer uma ligação direta com os dilemas pessoais e éticos mais urgentes do estudante
AULAS SOBRE A IMPORTÂNCIA da delicadeza, serenidade, perdão, humildade, caridade, reconciliação, solidariedade, tolerância, superação, equilíbrio emocional, transformação, autoconhecimento..., temas perfeitamente adequados para serem conciliados com qualquer disciplina ou estágio escolar. Ou seja, para a promoção de virtudes essenciais ao bem-estar, tornando a atividade de ensino também uma atividade terapêutica. Por que não criar uma disciplina para desenvolver temas ligados à filosofia da vida cotidiana?... É que o ensino convencional ignora nosso desejo de autorrealização, sabedoria, amor, crescimento interior...
Conforme coloca John Stuart Mill, um dos defensores vitorianos dos objetivos da educação: “O propósito das universidades não é produzir advogados, médicos ou engenheiros competentes. É criar ‘seres humanos’ capazes e cultos”. Ou, como revela Matthew Arnold, uma educação cultural adequada deveria inspirar em nós “um amor pelo vizinho, um desejo de acabar com a confusão humana e diminuir sua miséria”. Em seu nível mais ambicioso, acrescenta Arnold, a educação deveria engendrar nada menos que a “nobre aspiração de tornar o mundo melhor e mais feliz do que quando o encontramos”. Ambas as citações encontram-se na obra que ora finalizo de ler: “Religião para ateus” (capítulo Educação), de Alain de Botton, nascido em 1969 em Zurique (Suíça) e formado pela tradicional Universidade de Cambridge.
Segundo Alain de Botton, o que une afirmações tão ambiciosas e sedutoras é sua paixão – e seu caráter vago. “Raras vezes fica claro como a educação poderia encaminhar os estudantes para a generosidade e a verdade e afastá-los do pecado e do erro, embora seja difícil não consentir passivamente com essa noção inspiradora, dada sua familiaridade e sua absoluta beleza”, diz.
Para Alain, independentemente da retórica ensaiada nos folhetos, a universidade moderna parece ter muito pouco interesse em ensinar aos alunos quaisquer aptidões emocionais ou éticas.
NOVA ERA
“A chegada de uma nova era requer que muitos seres humanos estejam preparados para ela. Vocês que estão neste caminho vêm trabalhando para esse propósito há muitos anos, estejam ou não conscientes disso. Vocês vêm eliminando as impurezas. E assim se tornam disponíveis a uma força poderosa que vem sendo liberada no universo – o universo interior”, escreve Eva Pierrakos em “O caminho da autotransformação”.