Por
Guilherme Rodrigues Simões, jornalista esportivo,
O período
mais esperado dos últimos quatro anos finalmente chegou. A Copa do Mundo é um
evento extraordinário, repleto de momentos especiais e inesquecíveis. Quem não
se lembra de onde estava em cada Copa? Durante um mês, a gente se pega
assistindo a partidas aleatórias, como Equador x Curaçao, Uzbequistão x Congo,
sem piscar em frente à TV. Mas o melhor mesmo é vivenciar o clima de Copa,
sempre pitoresco e fascinante.
Tem o vizinho que grita gol antes; o pessimista que reafirma a cada cinco minutos que “essa seleção não passa da fase de grupos”; o supersticioso que se senta na mesma poltrona e ninguém ousa tirá-lo de lá.
Gosto da Copa também porque, durante este período, sou mais bem compreendido pelos vizinhos. Quando o meu time do coração está jogando, numa quarta-feira à noite qualquer, enquanto o mundo desaba na minha sala, há um silêncio revoltante no apartamento ao lado - com o morador provavelmente me julgando a cada grito. Durante a Copa, não serei o único taxado de descontrolado na redondeza.
Um
matemático alemão disse que a Holanda será a campeã mundial, derrotando
Portugal na final. Já um supercomputador, que realizou mais de 25 mil
simulações, apontou a Espanha como a grande favorita, seguida pela França. O
Brasil ficou em sexto lugar na lista de favoritismo. Já a imprensa especializada
aposta na França, sobretudo pelo poderio ofensivo da equipe dirigida por Didier
Deschamps.
Minha aposta
é outra: nem o economista, nem o supercomputador, nem os jornalistas vão
acertar; quem vai cravar o campeão mesmo será aquela tia que não acompanha
futebol e ganhará o bolão da família com uma vantagem constrangedora.
A lamentar,
apenas os episódios de “truculência” dos Estados Unidos na organização do
evento. Um árbitro da Somália teve a entrada negada no país. Já a seleção do
Irã, por sua vez, só poderá entrar nos Estados Unidos na véspera das partidas, retornando
ao México imediatamente após os jogos. A Copa deveria celebrar a união dos
povos, a paz e a diversidade cultural, em vez de estimular ainda mais os
conflitos políticos e religiosos.
Infelizmente,
a seleção brasileira atual tem pouca identificação com o torcedor. O próprio
atacante Raphinha, destaque do Barcelona, admitiu não ter criado conexão com o
país. O camisa 11 saiu do Brasil com apenas 19 anos para jogar no futebol
europeu. Outros atletas, como o centroavante Igor Thiago, o goleiro Ederson, os
zagueiros Ibañez e Bremer, também lidam com situações semelhantes. A Copa será
uma oportunidade de eles conquistarem o coração do desconfiado, porém
esperançoso, torcedor brasileiro.
No fim das
contas, o que vale mesmo é aproveitar cada minuto da Copa do Mundo, abraçar o
vizinho rabugento como quem abraça aquele torcedor desconhecido no estádio,
gritar na janela nem que seja para xingar o árbitro, apostar no Japão ou na
Noruega como azarões para tentar surpreender no bolão.
Só não vale
gritar gol antes. Dá um azar danado.
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