sexta-feira, 12 de junho de 2026

O que torna a Copa do Mundo absolutamente única


 

Por Guilherme Rodrigues Simões, jornalista esportivo, Santos (Brasil), 12 de junho de 2026


O período mais esperado dos últimos quatro anos finalmente chegou. A Copa do Mundo é um evento extraordinário, repleto de momentos especiais e inesquecíveis. Quem não se lembra de onde estava em cada Copa? Durante um mês, a gente se pega assistindo a partidas aleatórias, como Equador x Curaçao, Uzbequistão x Congo, sem piscar em frente à TV. Mas o melhor mesmo é vivenciar o clima de Copa, sempre pitoresco e fascinante.

Tem o vizinho que grita gol antes; o pessimista que reafirma a cada cinco minutos que “essa seleção não passa da fase de grupos”; o supersticioso que se senta na mesma poltrona e ninguém ousa tirá-lo de lá. 

Gosto da Copa também porque, durante este período, sou mais bem compreendido pelos vizinhos. Quando o meu time do coração está jogando, numa quarta-feira à noite qualquer, enquanto o mundo desaba na minha sala, há um silêncio revoltante no apartamento ao lado - com o morador provavelmente me julgando a cada grito. Durante a Copa, não serei o único taxado de descontrolado na redondeza.

Um matemático alemão disse que a Holanda será a campeã mundial, derrotando Portugal na final. Já um supercomputador, que realizou mais de 25 mil simulações, apontou a Espanha como a grande favorita, seguida pela França. O Brasil ficou em sexto lugar na lista de favoritismo. Já a imprensa especializada aposta na França, sobretudo pelo poderio ofensivo da equipe dirigida por Didier Deschamps. 

Minha aposta é outra: nem o economista, nem o supercomputador, nem os jornalistas vão acertar; quem vai cravar o campeão mesmo será aquela tia que não acompanha futebol e ganhará o bolão da família com uma vantagem constrangedora.

A lamentar, apenas os episódios de “truculência” dos Estados Unidos na organização do evento. Um árbitro da Somália teve a entrada negada no país. Já a seleção do Irã, por sua vez, só poderá entrar nos Estados Unidos na véspera das partidas, retornando ao México imediatamente após os jogos. A Copa deveria celebrar a união dos povos, a paz e a diversidade cultural, em vez de estimular ainda mais os conflitos políticos e religiosos. 

Infelizmente, a seleção brasileira atual tem pouca identificação com o torcedor. O próprio atacante Raphinha, destaque do Barcelona, admitiu não ter criado conexão com o país. O camisa 11 saiu do Brasil com apenas 19 anos para jogar no futebol europeu. Outros atletas, como o centroavante Igor Thiago, o goleiro Ederson, os zagueiros Ibañez e Bremer, também lidam com situações semelhantes. A Copa será uma oportunidade de eles conquistarem o coração do desconfiado, porém esperançoso, torcedor brasileiro.

No fim das contas, o que vale mesmo é aproveitar cada minuto da Copa do Mundo, abraçar o vizinho rabugento como quem abraça aquele torcedor desconhecido no estádio, gritar na janela nem que seja para xingar o árbitro, apostar no Japão ou na Noruega como azarões para tentar surpreender no bolão. 

Só não vale gritar gol antes. Dá um azar danado.


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