Os verdadeiros ensinamentos sempre chegam até nós. Não deixemos que passem despercebidos.
Tom Simões, jornalista especializado
em divulgação científica, Santos (Brasil), 24 de fevereiro de 2026
Vivemos em tempos em que a
informação é abundante – mas a sabedoria continua rara. Apenas pessoas incomuns
se interessam por conteúdos transformadores - aqueles que não apenas informam,
mas provocam consciência, deslocamento interior e mudança de postura diante da
vida.
Assisti recentemente a esse vídeo, no Programa Vida Inteligente (You Tube), apresentado por Eustáquio Andréa Patounas, o ‘Grego’, nascido em Atenas (Grécia). Eustáquio teve uma vida repleta de acontecimentos surpreendentes, razão pela qual interessou-se pelo estudo da essência humana, tornando-se um especialista na visão macroscópica da vida.
Desta vez, a entrevistada
foi Inês Balbo (graduada em Liderança e Gestão de Pessoas, com
pós-graduação em Neurociência e Consciência), abordando o tema “COMPORTAMENTO
E CONSCIÊNCIA”: o que significa esse caminho e como o caminhante vai
compreendendo esse processo. Uma troca de ideias com quem já percorreu muitas
rotas e comenta sobre suas experiências pessoais.
O meu trabalho também é
este. A pesquisa nas áreas de filosofia, psicologia e espiritualidade capazes de
me transformar. Compartilhar os meus achados com pessoas afins (alguém com
quem tenho identificação, sintonia, interesses ou valores semelhantes) não
é apenas um hábito intelectual, mas certa vocação, espécie de responsabilidade
interior. Sinto necessidade de beneficiar quem busca o sentido da vida, talvez
um sinal de que minha própria busca já ultrapassou o interesse pessoal e se
tornou serviço. Isso costuma acontecer quando a consciência deixa de ser
apenas um movimento de autoconhecimento e passa a ser um movimento de
responsabilidade.
Essa ideia me aproxima da
figura do mestre-aprendiz – aquele que ensina enquanto continua
aprendendo. Também essa necessidade pressupõe o reconhecimento de não estar
sozinho nas minhas inquietações. Há outros caminhantes. E eu desejo iluminar
trechos do caminho.
Os verdadeiros
ensinamentos sempre chegam até nós. Não deixemos que passem despercebidos. O
que parece ‘o Universo trazendo’ muitas vezes é também nossa própria disposição
interna. “Quando estamos atentos, maduros ou em busca de algo, passamos a
perceber oportunidades, pessoas e informações que antes ignorávamos. Na
perspectiva psicológica, o que chamamos de ‘O Universo trazendo’ pode ser
entendido como ‘sincronicidade’: acontecimentos externos que coincidem
significativamente com nosso estado interno.
A vida não é aleatória no
plano do aprendizado: há uma pedagogia silenciosa acontecendo o tempo todo. O
ensinamento não ‘cai do céu’; ele se revela naquilo que vivemos – se estivermos
presentes e atentos. Estar presentes e atentos é habitar plenamente o instante.
Eu tenho essa sensação, quando
leio e escrevo. Sinto algo como o Universo me dizendo: “Toma isto e mais
isto...”, ideias que vêm ao meu encontro, algo que pode se explicar com o
conceito de sincronicidade desenvolvido pelo psiquiatra suíço Carl Gustav
Jung, na década de 1920. Jung descreve a sincronicidade como a
‘coincidência significativa’ de eventos que ocorrem simultaneamente, mas que
não têm uma relação causal aparente. Para ele, esses eventos estão conectados
por um significado subjacente (profundo, que não se manifesta claramente),
que vai além da causalidade, e que podem ser manifestações do inconsciente
coletivo.
Não é que o cosmos esteja
‘organizando’ eventos para mim. É que minha consciência está preparada para
reconhecer o sentido. Quando a gente amadurece internamente, começa a perceber
o que antes passava despercebido. A realidade não muda – a gente muda.
Comportamento e
Consciência
A ideia central é que o
despertar espiritual pode ocorrer pela via da consciência lúcida ou pela via do
sofrimento, que rompe ilusões. Com base na literatura, a questão do despertar
espiritual sempre acompanhou a humanidade. Em tradições distintas, encontra-se
a noção de que ele pode acontecer de forma ‘natural’ – pelo amadurecimento
interior, ou por meio do ‘sofrimento’ - quando a dor nos obriga a rever
certezas.
No budismo, por exemplo, Sidarta
Gautama só despertou ao confrontar a velhice, a doença e a morte –
experiências que o arrancaram da ilusão do conforto. Conhecido como ‘Buda’,
Sidarta foi um príncipe que renunciou ao luxo para buscar a iluminação e
fundou o budismo, ensinando o caminho para superar o sofrimento humano. Já no
estoicismo de Epicteto, filósofo grego, o despertar vem do
reconhecimento lúcido do que depende ou não de nós - uma via mais racional,
construída pela disciplina interior. Teoria com a qual me identifico.
A dor funciona como
ruptura: desmonta ilusões, questiona prioridades e força uma revisão de
valores. Não é a dor em si que desperta – é a reflexão provocada por ela. Na
concepção do psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Gustav Jung, “As
pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo para evitar enfrentar a
sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas
sim por tornar consciente a escuridão”. Para ele, o ato de cuidar da alma está
inserido no conceito de psicoterapia.
Já com o despertar natural
(pela consciência), não é preciso ‘bater no fundo do poço’. A criatura humana
desperta pela observação, autoconhecimento, estudo, meditação, silêncio. Há uma
maturidade gradual. É o caminho da atenção contínua: perceber-se antes que a
vida imponha lições duras.
O termo ‘self’ refere-se à
identidade e consciência de uma pessoa, abrangendo a percepção que temos de nós
mesmos, incluindo características, pensamentos, emoções e comportamentos. É um
conceito complexo que se forma ao longo da vida, a partir das interações com o
ambiente e com as pessoas. Além disso, na psicologia analítica de Carl Jung,
o ‘self’ representa a totalidade da psique, unindo aspectos conscientes e
inconscientes do indivíduo.
Para Jung, o
cansaço – sobretudo o cansaço existencial – pode ser um ponto de ruptura do
ego. Quando a pessoa se esgota de sustentar máscaras, expectativas sociais e
papéis que não correspondem ao seu ser profundo, abre-se espaço para o processo
que ele define como ‘individuação’: o encontro com o ‘self’, o centro mais
autêntico da psique.
“Cansar’ pode significar:
cansar de agradar, cansar de fugir de si, cansar de viver segundo o olhar do
outro, cansar de negar a própria sombra. E é justamente nesse esgotamento que
algo se reorganiza internamente. Na psicologia analítica, muitas crises –
ansiedade, depressão, sensação de vazio – não são apenas patologias, mas
chamados da alma para uma reorganização mais verdadeira da personalidade. Há
algo muito coerente com essa visão: “O esgotamento pode ser o início da
autenticidade”.
Quando a consciência
desperta, ela ilumina não só o que somos, mas também tudo aquilo que evitávamos
ver. O despertar espiritual raramente é confortável. Ao contrário do que muitos
imaginam, ele não começa com êxtase – começa com lucidez. E a lucidez dói.
Quando a consciência se
amplia, ela começa a revisar a própria história: atitudes impensadas, palavras
duras, omissões, ilusões, vaidades, autoenganos. É como acender a luz num
quarto que ficou fechado por anos. O pó sempre esteve ali – mas no escuro parecia
não existir.
Para Epicteto, não
é possível aprender aquilo que achamos que já sabemos. O despertar da
consciência é justamente o momento em que deixamos de nos considerar prontos. É
uma espécie de humildade forçada pela verdade interior.
Mas há algo essencial
nisso tudo: a reflexão constante não é culpa – é depuração. Não é autoflagelo –
é limpeza. A consciência desperta começa a agir como uma sentinela constante,
de guarda interior observando nossos pensamentos, intenções e atos, corrigindo
impulsos, refinando escolhas.
Muitos passam por isso
pelo sofrimento. Outros por uma busca deliberada de sentido. Em ambos os casos,
o que acontece é semelhante: a vida deixa de ser automática e passa a ser
examinada. E há um paradoxo bonito aí: quanto mais você percebe o que fez de errado,
mais se aproxima do que é certo. A dor da clareza é o preço da liberdade
interior. Todo esse processo tem a ver com a sensação de paz interior, que pode
ser compreendida como uma experiência da alma — especialmente quando entendemos
“alma” como a dimensão mais profunda e unificadora do ser.
Talvez a dificuldade maior
não seja enxergar os erros, mas aceitar que eles foram parte do caminho
necessário para despertar. Você sente que essa fase é mais pesada ou mais
libertadora? A diferença pode estar no grau de resistência. Quando resistimos
demais, a vida intensifica os sinais. Quando estamos atentos, aprendemos com
sutilezas. O sofrimento é um mestre severo. A consciência, um mestre
silencioso. Há algo nesse sentido, de autoria desconhecida: “Maturidade é
saber o que já não nos serve mais”. Marguerite Yourcenar, escritora
francesa, reforça tal ideia: “O nosso verdadeiro lugar de nascimento é
aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar de inteligência sobre nós
próprios”.
Percepção silenciosa
Há uma relação entre
comportamento, consciência e a maneira como percebemos o retorno do Universo.
Essa ideia aparece tanto na espiritualidade como na filosofia. Sem atenção, não
há consciência. Sem consciência, não há transformação, o aprendizado passa
despercebido. Atenção é quase uma prática espiritual, você percebe o que está
alinhado com seu estado de ser. O Universo pode ser menos um agente externo e
mais um espelho ampliado da nossa própria consciência.
A modernidade nos ensinou
a pensar a consciência como algo ‘dentro da cabeça’. Mas há filósofos
contemporâneos, como o francês Maurice Merleau-Ponty, que propõem outra
visão: a consciência é relação, é abertura ao mundo. Você não está no mundo
como um observador distante. Você é um ponto de manifestação do próprio mundo
se percebendo. Merleau-Ponty foi um filósofo central na tradição da
fenomenologia do século XX. Sua reflexão gira em torno da experiência vivida,
do corpo e da percepção como fundamentos do conhecimento e da existência. Sua
obra mais conhecida, Fenomenologia da Percepção, sustenta que não somos
consciências abstratas observando o mundo à distância. Somos corpos do mundo.
É pensar: “Estou presente
ou apenas repetindo padrões?” Pequenas pausas mudam o campo inteiro da
percepção. A distração constante fragmenta o ser. Sem silêncio, não há
profundidade. Criar zonas de silêncio diário é quase um ato revolucionário.
E quando algo difícil
acontece, é perguntar: “O que isso revela sobre mim?” Não como culpa, mas como
consciência. Talvez a gente esteja continuamente encontrando a si mesmo em
formas diferentes. E atenção é o que transforma repetição em revelação.
Permaneça nessa sensação
de pertencimento silencioso. Não é disciplina rígida. É suavidade consciente. A
diferença é sutil, mas profunda: você deixa de viver como reação e passa a
viver como presença. A consciência contemplativa não busca controlar o
Universo. Ela dissolve a ilusão de separação.
Quando o mundo sensível
depende de uma realidade inteligível
Feliz de quem concebe a
consciência sob um ponto de vista transcendental, como algo que utiliza o corpo
como instrumento. Em Platão, filósofo e matemático do período clássico
da Grécia Antiga, o mundo sensível só existe e só é compreensível porque
participa de uma realidade inteligível – o mundo das ideias. Para ele, há uma
distinção fundamental entre dois níveis de realidade: (1) o mundo sensível,
que é o mundo que percebemos pelos sentidos – o mundo físico, material e
mutável. Tudo aqui nasce, se transforma e perece. Nada é plenamente estável.
(2) o mundo inteligível, que é o mundo das ideias (ou formas) – eterno,
imutável, perfeito. Aqui está, por exemplo, a ideia de justiça, de beleza, de
bem, de igualdade.
O mundo sensível depende
do inteligível, pois: (*) as coisas materiais são cópias imperfeitas das
ideias; (*) só conseguimos reconhecer algo como ‘belo’ porque existe a ideia de
beleza; (*) o sensível participa do inteligível. Por exemplo: uma flor é bela
porque participa da ‘beleza’ em si. Mas a beleza verdadeira não está na flor –
está no plano inteligível. O Sol simboliza a ‘ideia do bem’, que é o fundamento
de toda a realidade e conhecimento.
Finalizando, Conhecer
(para Platão) não é confiar nos sentidos, mas elevar a alma ao
inteligível por meio da razão. E aqui, talvez, toque algo que dialoga com
sua visão transcendental da consciência: se o sensível depende do inteligível,
então o que é mais real não é o que vemos – mas o que compreendemos
interiormente.
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Fontes Consultadas:
Pesquisas no www.chatgpt.com (ferramenta para
aumentar a produtividade no trabalho e nos estudos. Dentre outras funções,
o ChatGPT pode ser utilizado para estruturar ideias, resumir
documentos e gerar conteúdo).

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