Quanto mais o uso se integra ao cotidiano, mais difícil é reconhecê-lo como problema
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Tom Simões, jornalista especializado
em divulgação científica, Santos (Brasil), 11 de fevereiro de 2026
Na era do celular, nunca estivemos tão
conectados e, paradoxalmente, tão sós. A promessa do celular era aproximar
pessoas. Em parte, foi cumprida. Mas junto veio um efeito colateral silencioso:
o egocentrismo digital e uma solidão disfarçada de conexão.
O uso excessivo do celular virou um tema central no Brasil e no mundo. Quando pensamos na pergunta: “O que o uso excessivo de celular pode causar?”, os efeitos se distribuem em várias dimensões.
O excesso raramente é percebido enquanto
acontece. Costuma aparecer nos sintomas (comprometimento do sono, dificuldade
de foco, irritabilidade, cansaço visual) antes de virar diagnóstico. O aumento
das buscas por termos como ‘doenças’, ‘distúrbios’ e ‘malefícios’ ligados ao
uso excessivo e desregulado do celular revela um desconforto coletivo. Trata-se
de uma inquietação crescente sobre os limites que estamos ultrapassando e, também,
dos efeitos que já começamos a sentir no cotidiano. Estudos sugerem que ‘a tomada
de consciência dos custos’ aumenta a motivação para mudar.
Só vale a pena saber aquilo que nos
transforma. Essa ideia
atribuída a Sócrates, o filósofo, lembra que conhecimento não é acúmulo de
informação, é formação do caráter. Para os gregos, especialmente Sócrates,
aprender era um exercício de autoconhecimento: questionar crenças, reconhecer
limites, cultivar virtudes como: justiça, prudência e coragem. Conhecer,
portanto, era tornar-se melhor – mais consciente, mais responsável, mais
humano. Num mundo hiperconectado e cheio de dados, a provocação segue atual: O
que eu sei me torna mais sábio ou apenas mais informado, ou mais absoluto de
mim mesmo?
Se o que você sabe lhe torna mais rígido,
mais intolerante ou mais fechado ao outro, talvez esteja se tornando apenas
mais informado – ou mais preso à sua própria imagem. Se você se torna mais
cuidadoso, mais silencioso em certos julgamentos e mais atento às contradições,
aí sim há sabedoria em curso.
Sabedoria é quando o saber muda o jeito de
olhar, de agir e de julgar – inclusive a si mesmo. Não endurece, flexibiliza.
Não fecha respostas, qualifica perguntas. Não cria certezas finais, cria
responsabilidade. No fundo, o conhecimento é uma ferramenta. Ele pode construir
pontes, ou muros. “A diferença está menos no que você sabe e mais no que o
saber faz com você”, alguém escreveu.
Um convite à consciência
O celular não é vilão. É ferramenta. O
risco está no uso inconsciente. Perguntas simples ajudam a reequilibrar: (1)
Estou me conectando ou apenas me exibindo? (2) Estou conversando ou só
reagindo? (3) Estou presente ou apenas disponível on-line?
Recuperar o humano na era digital talvez
seja o grande desafio do nosso tempo: menos performance, mais presença; menos
vitrine, mais vínculo.
Abrimos o telefone celular para “só checar
uma notificação” e, quando percebemos, meia hora passou. Repetimos isso dezenas
de vezes por dia. O resultado é uma rotina fragmentada, marcada por
interrupções constantes e um desconforto novo: a suspeita de que estamos
ultrapassando limites que o corpo e a mente não conseguem mais ignorar.
Não há evidências científicas de que a
radiação emitida pelos celulares cause câncer ou outros danos graves à saúde,
desde que os limites de exposição sejam respeitados. Esse tipo de radiação é do
tipo não ionizante, ou seja, não tem energia suficiente para alterar o DNA
humano. Os principais riscos do uso excessivo estão mais ligados a problemas de
sono, atenção, má postura por tempo prolongado, redução da concentração, sedentarismo,
saúde mental e até distúrbios alimentares, mais do que à radiação. Pesquisas da
Universidade Federal de Lavras (UFLA) mostram que o uso compulsivo ou
dependente de celulares está associado a níveis mais altos de ansiedade,
depressão e outros sintomas negativos de saúde mental. A constante exposição a
notificações e redes sociais gera sobrecarga cognitiva e estresse crônico. Grande
parte desse processo nasce da comparação social e da insatisfação com a própria
imagem.
O Brasil viveu, em 2025, o maior pico de
interesse já registrado sobre os efeitos do uso excessivo de celular. Segundo a
Sala Digital, parceria entre Band e Google, as buscas pelo
tema aumentaram 140% nos últimos cinco anos, mais do que o dobro. Entre as
perguntas mais frequentes dos brasileiros na ferramenta de pesquisa, uma se
destaca de forma consistente: “O que o uso excessivo de celular pode causar?”
O Relatório Digital 2024, produzido
pela agência We Are Social em parceria com a Kepios, um dos
levantamentos mais completos sobre tendências e dados digitais globais, mostra
que o mundo ultrapassou a marca de 5 bilhões de usuários ativos em redes
sociais em janeiro de 2024, o que representa cerca de 62% da população global.
Além disso, revela mudanças importantes nos hábitos digitais, como o aumento do
tempo médio on-line e a intensificação da disputa entre Instagram e TikTok.
Instagram é uma rede social mais ampla e versátil, focada em fotos,
vídeos curtos e longos, enquanto o TikTok é especializado em vídeos
curtos, dinâmicos e altamente virais, com forte apelo entre jovens da Geração
Z. Em resumo: Instagram é mais “multiformato” e usado por marcas,
enquanto TikTok é mais “entretenimento rápido” e viral.
O Relatório Digital 2024 também aponta que
os brasileiros passam, em média, 3 horas e 46 minutos por dia no smartphone (celular
avançado que combina funções de telefonia com recursos de computador, como
acesso à internet e aplicativos) — uma das maiores médias do mundo. É tempo
suficiente para transformar um hábito tecnológico em um elemento central da
vida social, profissional e emocional.
O que a ciência já sabe
A literatura científica é clara: não existe
risco único, isolado, que explique o ‘excesso’.
Trata-se de um acúmulo de efeitos que se instalam aos poucos: enquanto
alguns agem de forma silenciosa, outros se manifestam de maneira rápida e
perceptível.
O vício em celular na terceira idade é uma
realidade crescente, frequentemente alimentada pela solidão, busca de
preenchimento de tempo ou escape de angústias. Comportamentos como uso
excessivo, ansiedade sem o aparelho e isolamento social podem indicar nomofobia (medo de ficar sem celular). A
intervenção envolve diálogo, atividades físicas, hobbies e, em casos severos,
terapia cognitiva.
Estudos de ergonomia e ortopedia mostram
que o uso prolongado em posição inclinada aumenta a carga sobre a região
cervical, o que pode levar à chamada ‘síndrome do pescoço de texto’
(inclinação constante da cabeça para frente ao usar celular), quadro associado
a dores, rigidez e até inflamações musculares.
Como exemplo, um idoso que fica deitado ou
sentado em má postura por longos períodos realmente pode comprometer a saúde da
coluna vertebral. Isso acontece porque a postura incorreta aumenta a pressão
sobre os discos intervertebrais, tensiona músculos e ligamentos e pode causar
dores nas costas, pescoço, ombros e mãos, ou até problemas crônicos, além de
enfraquecer músculos e articulações. Esse mau hábito provoca alterações na
curvatura natural da coluna, inclusive.
Passar longos períodos imóvel reduz a
movimentação, aumentando risco de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças
cardiovasculares. Também favorece inchaço nas pernas e pode aumentar risco de
trombose. O uso excessivo de telas, especialmente à noite, atrapalha a produção
de melatonina e pode causar insônia. Para oftalmologistas, o esforço contínuo
da visão em telas pequenas pode gerar fadiga ocular digital, marcada pela
ardência, visão turva temporária e dor ao final do dia. Portanto, é
aconselhável determinar horários para usar o celular, evitando especialmente
antes de dormir.
Isso não significa, segundo especialistas,
que o celular ‘cause’ esses quadros, mas que amplifica vulnerabilidades já
existentes e cria ciclos de hiperestimulação difíceis de romper.
Curiosamente, surpreende-me atualmente a
quantidade de idosos presos aos celulares em qualquer lugar e, ao mesmo tempo, a
presença considerável deles em academias de ginástica. A musculação já deixou de ser “coisa de
jovem”. Faz cada vez mais sentido que muitos idosos estejam adotando musculação
como parte central da rotina de saúde. Os benefícios vão além de músculos. Hoje
médicos, gerontologistas e profissionais de saúde em geral não só incentivam
exercícios de força para idosos como os consideram uma ferramenta terapêutica e
preventiva essencial, e não apenas uma moda de academia.
É realmente um fenômeno interessante
observar essas duas tendências. Por um lado, os celulares se tornaram uma
espécie de extensão da vida cotidiana — não apenas para jovens, mas também para
idosos, que os usam para se conectar com familiares, acompanhar notícias,
pesquisar informações úteis de interesse, por exemplo, como até mesmo para passar
longos períodos consumindo conteúdos insanos, infelizmente. Sem falar da
proliferação de fake news gerando desinformação, confusão e desgaste da
confiança social. Nesse particular da cultura digital, há muita coisa
circulando rápido, pouca checagem, muito apelo emocional e quase nenhum
critério. É claro que há também piadas hilárias no contexto da internet,
aliadas a conteúdos produtivos. Isso cria a impressão de algumas pessoas
estarem ‘presas’ ao aparelho, mas muitas vezes é também uma forma de inclusão
digital e social.
O uso da internet cada vez mais comum para idosos
efetuarem pagamentos bancários pode trazer autonomia e praticidade, desde que
sejam acompanhados de orientação e cuidados com a segurança.
Por outro lado, o aumento desse público em
academias reflete uma mudança cultural: envelhecer já não significa se afastar
da atividade física. Há uma busca maior por qualidade de vida, prevenção de
doenças e manutenção da independência funcional. Academias perceberam esse
contingente e passaram a oferecer treinos adaptados, aulas de baixo impacto e
até grupos sociais que tornam o exercício mais atraente.
Se pensarmos bem, essas duas imagens —
idosos conectados ao celular e idosos levantando pesos ou fazendo alongamentos
— mostram como o envelhecimento hoje é bem mais ativo e diverso do que há
algumas décadas.
Riscos mentais e sociais
A hiperconectividade define a era
atual de acesso constante à internet, redes sociais e dispositivos, trazendo
oportunidades de agilidade, mas gerando desafios severos à saúde mental. As redes
sociais transformaram o celular num ‘espelho permanente’. Curtidas,
visualizações, seguidores – tudo gira em torno de ‘como eu apareço’. Isso
incentiva uma lógica sutil: ‘eu existo na medida em que sou visto’. Aos poucos,
o outro deixa de ser alguém com quem me relaciono e passa a ser plateia. O
problema não é o ‘eu’, mas o ‘excesso de eu’. Quando tudo vira autopromoção,
sobra pouco espaço para a escuta, empatia e presença real.
Conversamos o dia inteiro, mas muitas vezes
sem utilidade ou profundidade. Emojis substituem silêncio compartilhado, áudios
substituem encontros, reações substituem diálogo. O celular cria a sensação de
companhia constante, mas não supre necessidades humanas básicas: olhar, toque,
tempo, atenção plena. Resultado? Pessoas hiperconectadas e emocionalmente
carentes. Essas pessoas estão quase sempre on-line: celular na mão,
notificações piscando, múltiplas abas abertas, redes sociais, mensagens,
notícias, vídeos. Tudo é visto rapidamente e ao mesmo tempo, mas raramente
digerido ou refletido.
Nunca foi tão fácil comparar vidas – e
nunca foi tão difícil se sentir suficiente. O feed (fluxo contínuo e
atualizado de conteúdo – posts, fotos, vídeos ou artigos), comum em redes
sociais como Instagram, Facebook e sites, serve para consumo
rápido de informações, novidades de pessoas seguidas ou destaques de uma marca,
funcionando como um mural de conteúdos permanentes.
O fluxo contínuo e atualizado de
conteúdos (feed) mostra sucesso, felicidade e corpos perfeitos, enquanto a
vida real segue imperfeita. Essa comparação contínua alimenta ansiedade,
sensação de inadequação e isolamento interior. A SOLIDÃO MODERNA NÃO É ESTAR
SEM PESSOAS, É ESTAR SEM VÍNCULO. O RISCO MAIOR: PERDER A CAPACIDADE DE ESTAR
COM O OUTRO.
Talvez
o perigo mais profundo não seja a solidão em si, mas a atrofia da convivência.
Ficar desconfortável com o silêncio, evitar conversar difíceis, preferir a tela
ao encontro. Sem perceber, desaprendemos a estar presente.
Dependência digital não é apenas hábito: é
comparável a dependências comportamentais, como jogos de azar. Ela envolve
mecanismos neurobiológicos ligados à dopamina. A longo prazo, pode comprometer
relações sociais, desempenho profissional ou acadêmico e saúde integral.
Especialistas recomendam monitorar sinais de dependência (como irritabilidade
sem o celular ou dificuldade em reduzir o uso) e buscar apoio profissional se
necessário. Evidências mostram que bloquear interrupções externas aumenta foco
e produtividade.
Tem gente fazendo terapia por conta de
dependência de celular. Sim, isso já está acontecendo. A chamada ‘nomofobia’ é
o medo irracional de ficar sem o celular ou de não ter acesso à internet. Essa
condição pode causar sintomas como ansiedade e estresse quando a pessoa estiver
longe do telefone ou sem conexão.
A nomofobia e a dependência digital são
questões cada vez mais discutidas em psicologia. Muitas pessoas procuram
terapia porque sentem que o uso excessivo do celular está afetando: relacionamentos
pessoais (dificuldade de estar presente em conversas ou momentos
familiares); produtividade (checar notificações constantemente atrapalha
foco e trabalho; saúde mental (ansiedade, insônia e sensação de vazio ao
estar longe do aparelho); e bem-estar físico.
Na terapia, os profissionais costumam
trabalhar estratégias como: estabelecer limites de tempo de uso; criar rotinas
sem celular (por exemplo, não usar na hora de refeições ou antes de dormir);
explorar as causas emocionais que levam ao uso compulsivo; substituir parte do
tempo on-line por atividades prazerosas off-line (ou seja, com o aparelho
desligado ou temporariamente inativo).
Curiosamente, em alguns países já existem
até clínicas especializadas em desintoxicação digital, direcionadas a quem
sente que perdeu o controle.
Redução do diálogo em casa
Eis um ponto bem relevante. O uso excessivo
do celular dentro de casa pode realmente reduzir a qualidade das interações
familiares. Em vez de conversas espontâneas na sala ou durante as refeições, não
raramente cada pessoa fica imersa em sua própria tela. Isso gera alguns
efeitos: menos troca de experiências do dia a dia; isolamento dentro do lar –
cada membro da família se fecha em seu ‘mundo digital’; perda de momentos saudáveis
coletivos – refeições, brincadeiras ou até pequenas conversas acabam
substituídas por tempo no celular; dificuldade de atenção plena – mesmo quando
há conversa, interrupções constantes por notificações diminuem a profundidade
da interação. Famílias que adotam pequenas regras de ‘desconexão’ descobrem uma
melhora significativa na convivência.
Se o celular substitui interações
presenciais, o isolamento social pode aumentar a solidão e sensação de
desconexão. A dependência digital pode virar vício, dificultando o equilíbrio
com outras atividades. Enquanto a falta de estímulos variados (leitura,
conversas, hobbies) podem acelerar perda de memória e funções cognitivas. E
olha só: o excesso de notícias negativas ou redes sociais pode aumentar
preocupações e afetar o humor.
Para reduzir riscos, importa também alternar
períodos de uso do celular com caminhadas leves, alongamentos ou outras atividades
prazerosas habituais fora da tela: jardinagem, encontro com amigos, academia de
ginástica, cinema, cursos etc.
Jogos (palavras cruzadas, sudoku e outros) também
distraem produtivamente, sem virar tarefa chata. Os jogos ativam vários
sistemas do cérebro ao mesmo tempo. A memória se beneficia com isso. Jogos
despertam curiosidade, desafio, frustração, vitória. Quando há emoção, o
cérebro libera dopamina e noradrenalina (que aumenta o estado de
alerta, o foco e a atenção. Ela prepara o cérebro para reagir e, ao mesmo
tempo, marca aquela informação como algo que não deve ser esquecido) - que facilitam
a consolidação da memória. Diferente de só ouvir ou ler, nos jogos a gente toma
decisões, erra e corrige, testando estratégias. A memória precisa de repetição,
mas não de repetição chata. Mesmo sendo ‘só um jogo’, cria-se uma narrativa com
objetivo claro, progresso visível e recompensa.
A propósito, antigamente, atividades como
arrumar gavetas e armários, por exemplo, cumpriam várias funções ao mesmo
tempo: organizar o espaço externo e ter uma sensação concreta de utilidade, ajudando
a organizar também o ‘espaço interno’ (pensamentos, emoções). Sim, e isso pode
explicar como a mente precisa de ocupação com sentido, não apenas de estímulo. Que
saudade de dona Assunção, minha mãe; com ela, eu e minhas irmãs aprendemos muito
sobre organização doméstica.
Era um tipo de ocupação manual, repetitiva
e silenciosa, quase meditativa. Sem perceber, muita gente regulava a ansiedade
assim. Hoje, o celular tomou esse lugar. Mas há uma diferença crucial: arrumar
um armário acalma, enquanto rolar a tela excita. Enquanto a arrumação
envolve foco contínuo, previsibilidade e fechamento de ciclos (‘comecei e
terminei’), o celular fragmenta a atenção e mantém o cérebro em estado de
alerta constante – sempre esperando a próxima novidade.
Talvez o ponto não seja idealizar o
passado, mas recuperar algo dele: fazer coisas com as mãos, lidar com o
concreto e aceitar o tédio leve que precede a criatividade. Trocar um pouco
de tela por tarefas simples pode parecer banal, mas é profundamente regulador. Às
vezes, não é falta de tempo, é falta de ritmo humano.
Para mitigar os efeitos negativos do uso excessivo de celulares, a Organização
Mundial da Saúde (OMS) e especialistas recomendam: usar
fones de ouvido em chamadas longas para reduzir a proximidade do aparelho com a
cabeça; criar períodos sem o uso de dispositivos, especialmente antes de
dormir; desativar notificações não essenciais; e estabelecer horários
específicos para verificar mensagens e redes sociais.
É importante refletir sobre a ansiedade e
perda de produtividade com o impacto d0 uso obsessivo desse aparelho. Práticas
de atenção plena ajudam a perceber impulsos antes de agir, fortalecendo o
autocontrole. Um exemplo: substituir o ato de checar redes sociais por
atividades como respiração profunda concentrada, alongamento e/ou meditação.
Isso reduz a associação automática entre tédio e celular.
A meditação realmente nos ensina a cultivar
presença e contentamento sem depender de estímulos externos — e o celular é
talvez o maior símbolo dessa busca constante por distração. A gente aprende a
se bastar com a meditação. Quando você se senta em silêncio, percebe que não
precisa preencher cada instante com notificações ou redes sociais; há um
bem-estar manifesto em simplesmente observar a respiração ou os pensamentos
passando. Digo isto por experiência própria, após o café da manhã. Logo após a
meditação, ainda dedico um tempo para ouvir uma ou outra música clássica.
Trata-se do momento diário de autoencontro. Cada pessoa tem seu próprio tempo
para amadurecer e se encontrar. “Maturidade é saber o que já não nos serve
mais”, alguém escreveu.
Há pessoas que até usam a meditação como
uma forma de ‘desintoxicação digital’: reservar momentos do dia para estar
longe das telas. É quase como treinar o cérebro para se sentir completo sem
precisar de reforços imediatos.
Uso produtivo da
tecnologia
Sim, certamente há pessoas que usam o
celular com certa frequência, mas com intenção, critério e propósito – não por
compulsão vazia. Esse tipo de uso costuma ter algumas marcas claras: (1) consumo
ativo de conhecimento: leem artigos, assistem a aulas, acompanham
pesquisas, podcasts e livros digitais, por exemplo. Podcast é
um conteúdo digital em áudio (ou vídeo) sob demanda, parecido com rádio, mas
com a flexibilidade de ser ouvido a qualquer hora, em qualquer lugar, no
celular ou computador, abordando variados temas como notícias, educação e
entretenimento, destinados a informar, educar, entreter ou construir
comunidades. (2) curadoria pessoal: filtram fontes, comparam
informações, checam credibilidade. (3) compartilhamento com sentido: não
repassam qualquer coisa – COMPARTILHAM O QUE PODE AJUDAR, PROVOCAR REFLEXÃO OU
INFORMAR MELHOR OS OUTROS. (4) uso instrumental da tecnologia: O CELULAR
É FERRAMENTA, NÃO MULETA EMOCIONAL.
O ponto-chave não é o tempo de tela, mas a
qualidade da atenção. Duas pessoas podem passar horas no celular – uma sai
esgotada e vazia; a outra sai informada, inspirada e mais consciente.
Mensagens repetitivas diárias
Mensagens repetitivas não são só ‘falta de
noção’, mas uma forma de buscar vínculo ou aliviar ansiedade. Tal comportamento
sem critério algum (como enviar saudações diárias, correntes religiosas, ‘bom
dia com flor e versículo’), mesmo sabendo que às vezes incomoda, pode
significar: (1) busca de pertencimento: para algumas pessoas (muito
comum em idosos, mas não só), o celular vira o principal elo social. Mandar
mensagens é uma forma de dizer “eu estou aqui, existo, faço parte”. A reação do
outro – mesmo em silêncio – já confirma presença. (2) moralização do bem:
no caso das correntes religiosas, há quem realmente acredite estar ‘fazendo o
bem’, abençoando ou até salvando o outro. Quando isso vira insistência, a fé
deixa de ser partilha e vira imposição. (3) ansiedade e vazio: o envio
compulsivo de mensagens pode funcionar como um ritual: reduz angústia, preenche
o tempo, organiza o dia. O problema é que o alívio é momentâneo, e precisa ser
repetido. (4) poder sutil: existe também um componente menos inocente:
ocupar inutilmente o espaço do outro, interromper, obrigar a atenção. É uma
forma suave de controle: “eu apareço quando quero”. (5) analfabetismo
digital-emocional: nem todo mundo entende que ‘silêncio é resposta’, que
intimidade não é automática, ou que excesso cansa. Falta leitura emocional do
ambiente – algo muito típico da era do celular.
E qual é o efeito disso tudo? O resultado
costuma ser o oposto do desejado: irritação, afastamento, bloqueios silenciosos
e relações desgastadas. O “bom dia”
constante, quando imposto, vira ruído. A fé, quando repetida como corrente,
vira spam. No fundo, isso diz mais sobre solidão, medo de irrelevância e
dificuldade de estar consigo do que sobre espiritualidade ou gentileza.
Imagem: https://www.tecmundo.com.br/ciencia/274905-usar-celular-atrapalha-o-treino-descubra.htm
A concentração durante a atividade física
não é frescura nem papo de atleta profissional – é parte essencial do
exercício. Quando o corpo se move, a mente precisa estar junto. Na academia,
aquela cena comum de pessoas na esteira ou levantando peso sem desgrudar do
celular parece inofensiva, mas tem vários efeitos negativos: (1) corpo
presente, mente ausente – o exercício funciona melhor quando há conexão
mente-músculo. Prestar atenção na respiração, no ritmo, na postura e na
execução do movimento melhora o recrutamento muscular, a eficiência e os
resultados do treino. QUANDO A ATENÇÃO ESTÁ NO CELULAR, O MOVIMENTO VIRA
AUTOMÁTICO – E MENOS EFICAZ. (2) mais risco de lesões (postura errada,
sobrecarga mal distribuída e movimentos mal executados). Um segundo de desatenção
pode virar dor crônica ou lesão séria.
É O FAMOSO TEMPO GASTO SEM PRESENÇA REAL. Menos
qualidade, mais tempo perdido. Exercício também é treino mental. Atividade
física é um raro momento com foco, silêncio interno e autorregulação emocional.
Usar o celular o tempo todo rouba esse
benefício. O treino vira só mais um ruído no meio do excesso de estímulos do
dia. Não é demonizar o celular. Claro: ouvir música ou cronometrar
séries podem ajudar. O problema é o uso compulsivo – redes sociais, mensagens,
vídeos – que quebram o fluxo do corpo. Em resumo: treinar com atenção é treinar
com respeito ao próprio corpo. Menos tela, mais presença. Menos distração, mais
consciência.
Uso de celulares entre crianças e
adolescentes
Essa é uma preocupação constante. As
diretrizes da Organização Mundial da Saúde visam promover um equilíbrio
saudável entre o uso da tecnologia e atividades físicas, além de incentivar
interações sociais no mundo real. É fundamental que pais e cuidadores estejam
cientes dos riscos associados e adotem práticas que promovam o bem-estar das
crianças e jovens. Lembrando que adultos que controlam o uso do celular
inspiram seus filhos.
Uma das orientações da OMS é que crianças
de até cinco anos não passem mais de 60 minutos por dia em atividades passivas
diante de telas. Além disso, bebês com menos de 12 meses não devem ser expostos
a dispositivos eletrônicos. As orientações visam incentivar atividades físicas
e interações no mundo real, como leitura e passatempos educativos, em vez de
tempo de tela.
Embora a tecnologia traga muitos
benefícios, como o acesso à informação e à educação digital, o uso excessivo de
telas pode causar vários impactos negativos na saúde das crianças. Os
profissionais de saúde se preocupam com as consequências que o assunto tem
gerado no desenvolvimento dos pequenos.
A pediatra Loren Nobre do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do
Distrito Federal (IgesDF), lotada no Hospital Regional de Santa Maria
(HRSM), destaca que o uso excessivo de telas (telefones, tablets e televisão)
pode afetar negativamente o desenvolvimento físico, social e emocional das
crianças. Por isso, é fundamental incentivar a redução do tempo de tela e
promover atividades educativas, que estimulam a criatividade, o aprendizado e o
bem-estar.
Segundo a especialista, o desenvolvimento
motor também fica prejudicado, já que a interação com telas pode reduzir o
tempo dedicado a atividades construtivas ao ar livre, prejudicando o
desenvolvimento motor e a saúde física infantil. Também há impactos no
desenvolvimento social e emocional, pois o uso excessivo de tecnologia pode
afastar as crianças de interações sociais reais, o que prejudica o
desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais essenciais.
Em resumo: o celular pode ampliar o
conhecimento, o entretenimento e os vínculos. Porém, quando o uso se torna
excessivo e substitui o movimento e a convivência, surgem prejuízos. O
equilíbrio entre tempo de tela, atividade física, interação social e descanso é
fundamental para a saúde
·
Fontes Consultadas:
https://www.band.com.br/noticias/celular-uso-excessivo-202511241541, 24/11/2025
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a produtividade no trabalho e nos estudos. Dentre outras funções, o ChatGPT
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