quinta-feira, 7 de março de 2019

AMÓS OZ, 1939-2018


Escritor e ativista político israelense, cofundador do movimento pacifista Paz Agora. Em 2017, aos 77 anos, ele esteve no Brasil para participar do ciclo de conferências ‘Fronteiras do Pensamento’.




Para os gregos, atingia a felicidade aquele ser provido de sabedoria. É preciso usar a nossa racionalidade para nos sentirmos menos angustiados. A ponte é a filosofia, com a qual podemos nos salvar dos medos e das angústias. Enfrentar as ilusões, as mentiras que contamos a nós mesmos, enfrentar o vazio com a coragem e a racionalidade. Para sairmos mais fortes. Eu não sou sábio, porque ainda sofro. As ideias dos grandes Pensadores podem nos ajudar a enfrentar os vazios existenciais e a encontrar algumas respostas.



MAIS e mais pessoas tendem ao extremismo”, diz Amós Oz.




Conheça outras ideias memoráveis de Amós:



NÃO sei muito sobre a situação do Brasil, então, não posso comentar a respeito. Mas no resto do mundo há uma crescente polarização e radicalização. Mais e mais pessoas tendem ao extremismo. A maior parte à direita, às vezes à esquerda, às vezes a um profundo extremismo religioso. Isso acontece porque as questões estão se tornando cada vez mais complexas. Com isso, muitas pessoas buscam respostas simples, de uma sentença, que cubram amplamente tudo o que se está perguntando. E são sempre os extremistas, os fanáticos e os radicais que têm as respostas mais simples. Eles têm o tipo de resposta que cobre todas as perguntas do mundo.”




AS PESSOAS leem os jornais não para ponderar ou estudar ou ampliar seus horizontes. Elas querem diversão ou escândalo ou sensacionalismo.” 



A IMPRENSA e a mídia estão se tornando uma extensão da indústria do entretenimento. As pessoas leem os jornais, não para ponderar ou estudar ou ampliar seus horizontes, querem diversão ou escândalo ou sensacionalismo. Querem na mídia, na imprensa, na política. Em muitos países, as pessoas votam nos candidatos não porque ele representa suas ideias, mas porque ele é divertido, porque é muito jovem, porque é muito escandaloso, porque usa palavras incríveis. ‘Vai ser divertido se votarmos nesse candidato, vai haver escândalo, vai ser animado.’ Em muitos países, os eleitores votam não porque desejam levar alguém para o Parlamento ou para o governo para representar seus ideais, mas porque querem que a política seja divertida, animada e escandalosa.” 







Apesar dessa relação tão próxima com Israel testemunhada em sua ficção e em sua literatura, Amós Oz também foi um dos escritores mais controversos dentro de sua própria nação, dado que sua militância pela paz na região, seu apelo a uma solução de conciliação na questão palestina e as críticas duras que costumava dirigir a governos israelenses provocaram ataques virulentos de muitos de seus próprios compatriotas.

SINTO-ME triste porque muitos israelenses não entendem minhas ideias ou não as aceitam. Mas também me sinto orgulhoso porque, a cada vez que alguns de meus compatriotas me chamam de ‘traidor’, eles me colocam em muito boa companhia, ao lado de alguns dos grandes escritores, poetas, profetas, intelectuais e estadistas na História que foram chamados de traidores por seus próprios contemporâneos.”         








NUNCA escrevi uma história ou romance com o intuito de simplesmente enviar uma mensagem política direta, tal como ‘parem de construir assentamentos nos territórios ocupados’ ou ‘reconheçam o direito dos palestinos à Jerusalém Oriental’. Nunca escrevo um romance alegórico a fim de dizer a meu povo ou a meu governo para fazer isso ou aquilo. Para isso, utilizo meus artigos. Se há uma mensagem metapolítica em meus romances, é sempre uma mensagem, de uma maneira ou de outra, de um compromisso, compromisso doloroso, e da necessidade de escolher a vida em lugar da morte, a imperfeição da vida em lugar das perfeições da morte gloriosa.”       

Fonte: https://citacoes.in/autores/amos-oz/  








OS ISRAELENSES discutem, eu discuto. E ainda assim sou eu quem me levanto toda manhã, faço uma pequena caminhada no deserto, faço uma xícara de café, sento em minha escrivaninha e começo a perguntar-me: ‘Como me sentiria se fosse ela? Como seria estar na pele dele?’ – o que é o que se tem a fazer se se quer escrever até o mais simples dos diálogos: é preciso dividir não apenas sua lealdade, mas até seus sentimentos viscerais entre os diversos personagens. Creio que estou parafraseando D. H. Lawrence, que disse certa vez que, para escrever um romance, você tem que ser capas de referendar meia dúzia de sentimentos e opiniões diferentes, conflituosos e contraditórios, com o mesmo grau de convicção, veemência e empatia. Então, talvez eu seja um pouco mais bem equipado do que outras pessoas para entender, do meu ponto de vista judaico-israelense, como é o sentimento de ser um palestino deslocado, um árabe palestino cuja terra natal foi tomada por alienígenas de outro planeta”.

Fonte: https://citacoes.in/autores/amos-oz/





ERA talvez meu hábito ‘profissional’ de colocar-me no lugar, ou na pele, dos outros. Isso não significa que sempre justifico esses outros, mas que tenho a capacidade de enxergar seus pontos de vista.”

Fonte: https://citacoes.in/autores/amos-oz/





PRECISAMOS de um senso de justiça, mas precisamos também de senso comum, de imaginação, de uma capacidade profunda de imaginar o outro, às vezes de nos colocarmos na pele do outro. Precisamos da capacidade racional de nos comprometer e, às vezes, de fazer sacrifícios e concessões.”    

Fonte: https://citacoes.in/autores/amos-oz/









EU, meu caro, não acredito no amor de todos por todos. A quantidade de amor é muito reduzida. Um homem pode amar cinco homens e mulheres, talvez dez, às vezes até quinze. E mesmo assim, só raramente, Mas se vem um homem e me declara que ele ama todo o Terceiro Mundo, ou que a América Latina, ou que ama o sexo feminino, isso não é amor, mas pura fraseologia. Ditos da boca para fora. Palavra de ordem. Não nascemos para amar mais do que um pequeno punhado de pessoas. O amor é um evento íntimo, estranho e cheio de contradições, pois mais de uma vez nós amamos alguém por amor a nós mesmos, por egoísmo, por cupidez, por desejo físico, por vontade de dominar o amado e subjugá-lo, ou, ao contrário, devido uma espécie de desejo de ser dominado pelo objeto de nosso amor, e geralmente o amor se parece muito com o ódio e é mais próximo dele do que imagina a maioria das pessoas.”    











UM HOMEM perseguido, quer porque ele próprio fez dos outros perseguidores, quer porque a sua miserável imaginação inventa legiões de inimigos cheios de más intenções, num caso como no outro um homem destes tem, para além da infelicidade, uma falha moral: porque existe uma desonestidade básica na mania da perseguição seja ela qual for. A propósito, é óbvio que o sofrimento, a solidão, os acidentes e a doença atingem mais um homem destes do que outros, ou seja - todos nós. Pela sua própria natureza, o homem desconfiado é mais propício à desgraça. A desconfiança, como o ácido, consome quem a contém e devora o próprio desconfiado: proteger-se noite e dia do gênero humano, passar a vida a engendrar esquemas a fim de evitar tramoias e intrigas, e que truques usar a fim de farejar de longe a rede estendida aos pés - tudo isto é causa de danos irreparáveis. E são estas coisas que afastam o homem do mundo.”    

Fonte: https://citacoes.in/autores/amos-oz/


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