quarta-feira, 22 de outubro de 2014

SALAS DE ESPERA DE CONSULTÓRIOS

A minha ideia é substituir programações televisivas por vídeos educativos

Tom Simões, jornalista, tomsimoes@hotmail.com, Santos (São Paulo, Brasil) 


Imagem: http://chiav.wordpress.com/ 

AO SUBMETER-ME recentemente a alguns exames médicos, impressionei-me com a prática comum do uso da televisão nos consultórios e clínicas médicas, sintonizada em programas, para mim um tanto estressantes. Daí eu imaginar algumas pessoas, muitas vezes tensas ou deprimidas, aguardando o atendimento, terem de se submeter obrigatoriamente a uma programação televisiva indesejada e, frequentemente, com o som alto.

É claro que o propósito do médico é distrair o cliente enquanto ele aguarda a vez de ser atendido, embora eu creia que a secretária distraia-se mais, por ser ela provavelmente a responsável pela escolha dos canais. Então imagino que as salas de espera deveriam ser transformadas num ambiente propício para acalmar as emoções e relaxar. Penso ser melhor para o cliente acalmar a mente antes de um exame médico do que deixá-la inquieta, repleta de informações que incluem tragédias e outras tristezas.


‘A maioria das pessoas gosta da programação mais popularesca da televisão’, alguém poderia contra-argumentar. Mas nem por isso se deve alimentar esse ‘prazer no telespectador’. O responsável pela escolha de um canal de TV em um ambiente médico deve oferecer ao público uma programação mais educativa, menos mercantilista, inútil e agressiva. Eis aí a oportunidade para um aprendizado involuntário.

Vem daí a seguinte ideia: deveriam selecionar vídeos com reportagens educativas na área da saúde, por exemplo, preenchendo o tempo do cliente com alguma reflexão produtiva sobre algo que favoreça a sua capacidade de lidar com o estresse e produza bem-estar. Vídeos sobre meditação também são oportunos. Ou algo que pelo menos preencha o olhar dos cativos das salas de espera com cenas interessantes sobre arte, esportes, viagens. Talvez até o som seja dispensável. Outra possibilidade: eliminar a televisão da sala de espera! Observo algumas vezes pessoas conversando entre si sobre coisas muito produtivas. E outras com dificuldade de ler um livro ou uma revista, por conta do ruído.  

Este comentário não deriva de uma especulação mental, mas sim de uma experiência que vivi nestas duas últimas semanas. Ah! Não se preocupe leitor, está tudo muito bem com a minha saúde. É que eu tenho esse saudável hábito da visita periódica ao médico. Melhor prevenir do que remediar, literalmente.

Possivelmente, deve haver algumas clínicas e consultórios já sintonizados com essa ideia. Deepak Chopra, médico e escritor americano, lembra que tradições de sabedoria de todo o mundo afirmam que todos devem ter acesso à paz, calma, silêncio, plena alegria em respeito à própria vida. E por que não, mesmo em um consultório médico? “Esteja bem descansado, sempre que possível. Mantenha-se afastado de circunstâncias estressantes e de pessoas que o deixam vulnerável”, cita o autor em ‘Supercérebro’.

Tudo isso me lembra também o mestre budista Geshe Kelsang Gyatso, na obra ‘Transforme sua Vida’: “Quando buscamos algo para nos distrair, para obter prazer... É preciso distinguir esse algo com o que a gente ‘apenas’ se identifica (distrai ou se diverte....) daquele algo com que a gente se transforma essencialmente. É preciso então conciliar o prazer temporário com alguma prática educativa, sobretudo aquela capaz de nos levar à autorreflexão e mudança positiva de comportamento”.



·         Revisão do texto: Márcia Navarro Cipólli, navarro98@gmail.com

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