terça-feira, 14 de junho de 2011

“A MORTE DE SÓCRATES”

Cicuta e Sócrates “Sim, ele foi obrigado a tomar cicuta (veneno)”
Imagens: mutuca.wordpress.com
Há cerca de 2.400 anos, disse Sócrates (469 - 399 a.C.): “EU SOU A MINHA ALMA”. Isto demonstra que ele acreditava que a alma é imortal.

Pesquisando sobre o filósofo para um artigo anterior (SÓCRATES E www.tomsimoes.com: IDEAIS CONFLUENTES, junho 2011), descobri este texto do artista plástico Nicéas Romeo Zanchett, publicado em http://www.webartigos.com 

A vida de Sócrates é um convite à autorreflexão, para que possamos pensar no significado essencial da nossa existência, despertando para transformar hábitos repetitivos e elevar a nossa condição humana.

Swami Kriyananda, em sua obra “Deus é para todos”, revela: “Agarrando-se ao corpo, o homem tende perdê-lo, juntamente com todas as associações familiares que construiu no decorrer da existência. Seu coração discute com a morte: ‘Será que tudo isso deve ser mesmo abandonado para sempre?’ Sim, as coisas, propriamente, devem ser deixadas para trás, mas as pessoas, não. As suas formas mudarão, mas a essência não mudará”.

Na percepção de Fábio Colletti Barbosa, administrador de empresas (“Sobre jovens e valores”, Folha de S. Paulo, Mercado, 10/10/2010), “Os profissionais cada vez mais buscam um significado, principalmente os jovens. Querem saber como seu trabalho impacta o ambiente, a sociedade, o futuro etc. A busca de um sentido para o que se faz é a indicação maior de que muito se evoluiu nessas novas gerações”.

Fábio acredita que, se a sua geração não foi capaz de deixar um mundo melhor para os nossos jovens, terá certamente deixado jovens melhores para o nosso mundo. “É gratificante ver que os jovens entendem a relevância da cidadania, da transparência, com uma intensidade e uma consistência que os de outras gerações não entendiam”.

Em sua obra “Consciência é a resposta”, que li em 2008, Robert Happé observa: “Estamos vivendo um tempo muito entusiasmante, no qual existem muitas oportunidades para o entendimento. Nos tempos antigos, tínhamos de nos apoiar nas crenças e nos tornávamos apenas seguidores. Agora, no entanto, precisamos aprender a seguir nossa própria orientação interior para adquirir confiança no nosso próprio conhecimento, em vez de buscá-lo fora de nós”.

Para o escritor Érico Veríssimo, “Felicidade é saber que não se viveu uma vida em vão”. Mais jovens buscam isso, escreve Fábio Colletti.

SÓCRATES, SEGUNDO NICÉAS ZANCHETT

“Pelas ruas de Atenas, envolto num áspero manto, com pés descalços e cabeça descoberta, vagava Sócrates, distribuindo sabedoria. Era um homem fisicamente feio, mas manso e dócil como um santo. Tinha a profissão de escultor, que pouquíssimas vezes exerceu, pois preferia esculpir sábias palavras.

Pouco se preocupava com as dificuldades financeiras de sua família. Cuidava dos negócios alheios e esquecia os seus. Nas infrequentes visitas à casa de sua mulher, Xantipa, era recebido com tempestades de palavras ásperas que sabiamente ignorava.

Sua maior ambição era ser benfeitor da humanidade. Sua bondade era tão grande quanto sua sabedoria. Desejava ver a justiça social ser exercida em todo o mundo. Em Atenas, era odiado e amado. Os políticos detestavam encontrá-lo para não terem de responder a perguntas embaraçosas.

Para a sua esposa, Xantipa, era um preguiçoso, mas para os jovens atenienses, um deus. Eles adoravam ir ao seu encontro para escutá-lo,  cheios de admiração. Para transmitir o saber, ele costumava instigar o pensamento de seus interlocutores sem jamais responder diretamente às suas perguntas.

Sócrates sentia especial prazer em chamar a atenção para aqueles que pensavam uma coisa e diziam outra e também para aqueles que diziam ser sábios, quando na verdade não passavam de tolos ignorantes. Costumava chamar a si mesmo de "moscardo" (moscão). Tinha a habilidade de estimular as pessoas a pensar. Outro apelido que costumava dar a si mesmo era de ‘parteira intelectual’, porque auxiliava as pessoas a dar nascimento às suas próprias idéias, incentivando o uso do próprio pensamento.

Com muita insistência, afirmava que nada sabia. Dizia: "Sou o homem mais sábio de Atenas porque sei que nada sei".

Toda a essência do ensinamento de Sócrates pode ser resumida nas seguintes palavras: "Conhece-te a ti mesmo". Ele tentava sempre aprender com todos e neste processo ensinava a seus mestres. Costumava dizer que o saber é uma virtude; que os homens cometem crimes porque são ignorantes, não conhecem outra coisa melhor.

O objetivo maior de sua vida era ensinar os outros. Infelizmente, dizia ele, nem todos queriam ser educados.

Um dia, ao chegar ao mercado para o seu costumeiro debate filosófico, deparou-se com um aviso colocado na tribuna pública que dizia: "Sócrates é criminoso. É ateu e corruptor da mocidade. A pena de seu crime é a morte".

Foi preso e julgado pelos políticos, cuja hipocrisia costumava denunciar nas praças públicas. Ao ser interpelado pelos juízes, recusou-se a se defender, dizendo que sua obrigação era sempre falar a verdade. Os juízes o consideraram culpado. Quando lhe perguntaram qual devia ser a sua punição, ele sorriu sarcasticamente e disse: ‘Pelo que fiz por vós e pela vossa cidade, mereço ser sustentado até o fim de minha vida à expensas públicas.’

Sócrates foi condenado à morte. Durante trinta dias foi mantido numa cela funerária. Mesmo diante da morte, permaneceu calmo, discutindo tranquilamente o significado da vida e o mistério da morte.

Críton, o mais ardente dos seus discípulos, entrou furtivamente na cela e disse ao mestre: ‘Foge depressa, Sócrates!’

‘Fugir por quê?”, perguntou-lhe. ‘Ora, não sabes que amanhã vão te matar?’, disse Críton. ‘Matar-me, a mim? Ninguém pode me matar.’

‘Sim, amanhã terás de beber a mortal taça de cicuta’, insistiu Críton,  ‘Vamos, foge depressa para escapares à morte!’

Meu caro amigo Críton, respondeu-lhe, que mau filósofo és tu! Pensar que um pouco de veneno possa dar cabo de mim...

Depois, puxando com os dedos a pele da mão, Sócrates perguntou: ‘Críton, achas que isto aqui é Sócrates?’

E, batendo com o punho no osso do crânio, acrescentou: ‘Achas que isto aqui é Sócrates?... Pois é isto que vão matar, este invólucro material, mas não a mim. EU SOU A MINHA ALMA. Ninguém pode matar Sócrates!...’

E assim, um dos homens mais sábios de todos os tempos foi obrigado a acabar a vida como um criminoso. Ao beber o veneno, quando já sentia que seus membros esfriavam, despediu-se de todos com as mesmas palavras com que se dirigira aos juízes que o haviam julgado: ‘E agora chegamos à encruzilhada dos caminhos, meus amigos, ides para vossas vidas; eu, para a minha morte. Qual seja o melhor desses caminhos, só Deus sabe.’

Quando os homens julgam erradamente seu próximo, a história julgará os julgadores. Foi assim...”

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Fonte: “A morte de Sócrates”, publicado em 19/4/2009, http://www.webartigos.com/articles/16891/1/A-MORTE-DE-SOCRATES/pagina1.html#ixzz1ObHPYSKv

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Revisão do texto: Márcia Navarro Cipólli, navarro98@gmail.com

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