Vivemos
cercados por estímulos. As redes sociais nos convocam a todo instante.
Tom
Simões, humanista, jornalista e divulgador científico, Santos
(Brasil), 14 de agosto de 2026
O vídeo aborda como aspectos da
cultura japonesa lidam com o tempo, a impermanência e a finitude de forma
integrada à vida.
Marco Aurélio Bilibio, psicólogo clínico e doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília, atua em áreas como psicoterapia, ecopsicologia, sustentabilidade, sociedade de consumo, saúde ambiental, adoecimento coletivo e alienação. Sua abordagem tem orientação claramente fenomenológica.
Uma amiga de Bilibio postou no
Facebook a seguinte mensagem: “Se a minha alma gêmea estiver passando por
mim, por favor, se apresenta, porque provavelmente estarei olhando para o meu
celular.”
A brincadeira revela uma
realidade cada vez mais séria: vivemos submetidos a um nível inédito de
estímulos tecnológicos, que disputa continuamente nossa atenção. O problema
talvez não seja apenas o excesso de informação, mas aquilo que estamos deixando
de perceber enquanto permanecemos distraídos.
Mantemo-nos conectados a quase
tudo, mas corremos o risco de nos desconectar do que acontece diante de nós — e
dentro de nós.
Estudos apontam uma reversão do
chamado efeito Flynn, identificado pelo pesquisador James Flynn — com
quedas no desempenho de determinadas medidas cognitivas em algumas populações
ao longo das últimas décadas. Mais do que uma questão de QI (Quociente de
Inteligência), porém, esse fenômeno nos convida a perguntar: o que a
hiperestimulação está fazendo com a nossa capacidade de atenção, reflexão e
contemplação?
Talvez seja justamente nesse
ponto que uma antiga sabedoria japonesa tenha algo a nos ensinar. Em uma época
que transforma velocidade em virtude e distração em hábito, o silêncio, a
simplicidade e a tranquilidade podem assumir um significado quase
revolucionário.
Nesse vídeo, focado na aceleração
dos novos tempos, Marco Aurélio Bilibio nos convida a olhar para esse modo
japonês de cultivar o silêncio, a tranquilidade, a contemplação e o equilíbrio
— valores que talvez estejam se tornando cada vez mais necessários para uma
existência consciente.
Não se trata de fugir do mundo,
mas de aprender a habitá-lo com mais presença. Encontrar a paz não exige mudar
o mundo ao redor, mas desabrochar o silêncio dentro de nós.
A
agitação digital contemporânea
Vivemos cercados por estímulos.
As redes sociais nos convocam a todo instante, disputando nossa atenção,
preenchendo silêncios e, muitas vezes, nos afastando de nós mesmos. Nunca
estivemos tão conectados — e, paradoxalmente, talvez tão distraídos.
O chamado culto japonês da
tranquilidade nos lembra que uma vida verdadeiramente rica não depende da
quantidade de estímulos que recebemos, mas da qualidade da atenção que
dedicamos ao que vivemos.
Talvez a grande sabedoria esteja
justamente em recuperar aquilo que a pressa contemporânea nos faz esquecer: o
silêncio também é uma forma de conhecimento e a tranquilidade, uma sábia forma
de liberdade. Ou seja, quando deixamos de ser governados pelo ruído
exterior, recuperamos o governo de nós mesmos.
É possível encontrar, em
diferentes aspectos da cultura japonesa, um contraponto à dispersão
contemporânea e uma inspiração para compreender a tranquilidade como exercício
de consciência. Nesse cenário de aceleração, essa inspiração oferece uma
reflexão particularmente atual: a tranquilidade não é ausência de vida, mas presença
na vida.
Talvez esteja aí uma das grandes
lições para o nosso tempo: em uma sociedade que transformou a atenção em
mercadoria, aprender a desacelerar antes que a velocidade nos impeça de
perceber o essencial.
O que,
afinal, merece a nossa atenção
A tranquilidade não significa
isolamento do mundo. Significa não permitir que o mundo exterior ocupe
permanentemente o espaço interior. É conseguir permanecer em silêncio sem
sentir necessidade de consultar uma tela; observar sem fotografar; caminhar sem
pressa; ouvir sem interromper; simplesmente estar.
O Japão nos oferece, assim, mais
do que uma estética da serenidade. Oferece uma possibilidade existencial: viver
com menos ruído para perceber melhor a vida.
Talvez a verdadeira tranquilidade
comece quando deixamos de perguntar o que mais podemos consumir, acompanhar ou
responder — e começamos a perguntar o que, afinal, merece a nossa atenção.
Porque uma mente permanentemente
distraída pode estar informada sobre muita coisa, mas talvez já não consiga
escutar aquilo que acontece dentro de cada um de nós.
O despertar consciente é um
processo de mudança interna. Ele nos tira do modo automático da rotina e nos
leva a perceber quem somos, como agimos e de que forma o mundo funciona ao
nosso redor. É uma saída do sono mental para reencontrar conscientemente uma
capacidade que estava adormecida: a capacidade de atribuir sentido à existência.
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Exemplo de um ritual oriental sagrado: https://www.youtube.com/watch?v=IZkjX_c4hm4&list=RDIZkjX_c4hm4&start_radio=1

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